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quarta-feira, 14 de setembro de 2011

O Comando Ashtar




     Não escrevo esta postagem por acaso, não é resultado da inércia nem da "falta do que fazer". Se você, meu caro amigo leitor, chegar ao final desta leitura, de duas uma - ou terá certeza que sou louco, ou sentiu seu coração, seu interior vibrar de uma maneira peculiar, talvez inexplicável e algumas palavras em si, podem ter gerado isso de maneira mais intensa. Pois bem, relutei por um tempo para postar a respeito dado a seriedade do assunto e o medo  duplo - do preconceito de quem lesse e de cometer muitos equívocos  na ânsia de ajudar compartilhando muitas informações, acabar por atrapalhar. Todavia, um compromisso espiritual já extremamente tardio, fruto de péssimas escolhas que fiz na minha vida, mais o pouquíssimo tempo que NÓS, como humanidade temos pela frente antes da transição planetária, me fez sentir a obrigação e quase um peso no coração de "por tudo pra fora", correr todos os riscos e vencer a covardia pessoal! Portanto seguiremos...ah..na minha opinião, este é o mais importante texto posto aqui neste espaço, e o que merece maior atenção. Não sou dono da verdade, nunca desejei ser, mas se através de minhas palavras puder gerar dúvidas, curiosidades, saudáveis debates, investigações, pesquisas,...ahhh como irei ficar feliz e realizado! Por favor, não aceitem nada!...PESQUISEM E RACIOCINEM POR SI MESMOS, USANDO A MAIOR ARMA QUE O TERRÁQUEO TEM...A INTUIÇÃO ATRAVÉS DA MEDITAÇÃO!!!
        Comando ASHTAR SHERAN, ou Comando Real Intergaláctico Ashtar Sheran, é um comando inter-espacial, constituído de milhões de seres superiores de milhares de planetas distintos e sistemas, que há milhões de anos são os responsáveis pela evolução na Terra, ou Planeta Shan, como eles chamam. Ashtar Sheran é um termo proveniente do sânscrito que significa Comando de Maior Luz...luz espiritual amigos! Estes seres que pertencem a esta Confederação Intergaláctica, são seres que já se libertarem da escravidão dos sentidos e vivenciam o Amor Puro e a Luz Divina, estão em perfeita harmonia e ressonância com o Universo Divino, ou a REALIDADE! Tudo que já aconteceu, acontece e acontecerá com nosso querido Planeta Shan (aquele que vai das cinzas à evolução), passam pelo crivo de aprovação do Comando Ashtar. Foi assim desde antes dos Dinossauros, passando pela Atlântida e Lemúria até os dias atuais e a famigerada Era de Aquário. Não é um comando militar nos moldes que nós humanos conhecemos, a hierarquia lá é através da evolução espiritual, ou seja de quanta luz cada um tem dentro de si. Seu comandante supremo, de codinome Ashtar Sheran, na verdade não é uma "pessoa", mas um nível de consciência que representa milhares de seres espirituais, todavia, pode se individualizar como o tão conhecido do mundo ocidental e nosso querido e valente "guerreiro sagrada da espada de luz dourada, Arcanjo Miguel" Guerreiro da Paz e do Amor, diga-se de passagem, apenas para melhor explicar escrevemos isso, em outro post aprofundaremos o assunto. Ashtar pertence à sexta hierarquia da Terra, é um dos 7 ELOHINS que criaram nosso planeta, e também responsável pela nascimento da Nova Raça que habitará a Terra na Era de Aquário.
          O que nos importa saber agora, é que esta Confederação Intergaláctica, que reúne diversas humanidades de planetas diferentes trabalham com o intuito de servir e ajudar outras humanidades mais atrasadas e presas no materialismo a "encontrarem Deus", a se reintegrarem cosmicamente, a se desenvolverem espiritualmente, como é o caso da Terra (Shan). Ou seja, eles são o amor divino manifestado, espécie de irmãos de evolução ao longo dos milhões de anos desde que fomos criados, digamos, mais velhos, ou experientes, por isso já passaram há muito, muito tempo atrás, por algo semelhante que passamos agora, e um dia, todos nós seremos como ELES!. Estamos há um ano do tão falado dezembro de 2012, ou do tão divulgado fim do mundo e a segunda volta de Jesus! Quero destacar que não compactuo em hipótese alguma com essa visão destrutiva de um Deus vingador e que a separação do joio e do trigo expurgará não só os maus, como acabará com eles! Porque aí ficariam a pergunta - e quem serão os salvos? Os Crentes em Jesus? Bom, mas entre eles mesmos, há muitas discordâncias e parecem estarem longe de uma conclusão, mais parece teorias infantis fruto de interpretações pueris das escrituras sagradas, que tem por objetivo selecionar alguns eleitos de acordo com as nossas vaidades. Reiteramos nossa total crença no Mestre Jesus, irmão maior, luz divina que esteve entre nós...e ainda está! Mas não aceitamos que ele com todo seu amor "destruirá" seu belo e amado planeta, erradicando para o inferno os reprovados por toda a eternidade! Isto seria uma atitude digna de um ser primitivo, egoísta, orgulhoso e precário!
       Enfim, respeitamos todas as visões e não queremos excluí-las ou exterminá-las, muito pelo contrário, mas conversar, mostrar que existe algo mais, e onde quer que se fale de amor e crença em DEUS-PAI, por mais irrisório que seja, merece nosso carinho e gratidão, porquanto seja verdadeira e generosa a intenção, não procurando escravizar e, ou manipular. Mas amigos, a transição planetária chegou, ou seja, o momento em que o joio e o trigo são separados, o apocalipse que nossa querida bíblia sagrada nos fala, todavia, temos que ter uma visão reformulada, mais amorosa e madura. O joio e o trigo já estão sendo separados, há um bom tempo, e estamos no "finalzinho" do processo. Vedes, por exemplo que nos últimos 20 anos, o número de cataclismas e acidentes climáticos, fome, miséria, violência, entre outros que assolam a humanidade, e quase parece não terem "mais jeito"? É  aí que entra o Comando Ashtar Sheran, o Comando Da Luz, que desde os anos 1940 tem entrando incessantemente em contato com médiuns e até mesmo os Governos do Grandes Países, para tentarem ajudar diretamente a humanidade. todavia a nossa ignorância ainda nos bloqueia, e somente algumas pessoas pelo mundo se disponibilizaram para árdua tarefa de levar suas mensagens para toda humanidade. Graças a Deus, nos últimos anos milhares de pessoas de última hora, se abriram, demonstraram vontade de cooperar e conhecer novas verdades, vencer seus antigos paradigmas, o que proporcionou uma intensificação deste intercâmbio e de sua ajuda. Muitas coisas bem terríveis já eram pra ter acontecido aqui no nosso planeta Azul, sim, eu sei que é difícil acreditar, mas se não fossem eles teríamos tido uma guerra nuclear e mais desastres naturais, todavia, suas intervenções e a mudança da psicosfera e da densidade da Terra, permitiram que nosso Karma coletivo fosse diminuído, fazendo com o que eles pudessem agir. Existem milhares de irmãos ao redor do mundo, ilustres anônimos que todos os dias aceitam o desafio de divulgarem informações, venceram paradigmas científico-religiosos e preconceitos, enfrentam oposições terríveis muitas vezes dentro da própria família, mas imbuídos de amor no coração e confiança no Alto, continuam sua missão. Todavia estamos no momento mais crítico do pré-apogeu, ou seja, o Comando Ashtar necessita que muito mais pessoas despertem nestes últimos segundos para o trabalho e para o esclarecimento. Grande parte da Humanidade ainda dorme sob sono profundo da escravidão e alienação por conta de interesses escusos de nossos governantes, em todo mundo, quase sem exceção. Amigos vamos acordar, arregaçar as mangas e trabalhar, só temos mais um ano pela frente antes da Grande Chegada, ou aparição em massa das Naves Celestiais do Comando Ashtar, que aparecerão em todo mundo para todos, sem exceção, antecedendo terríveis terremotos e outros desastres onde milhares, talvez milhões sucumbam à morte de seus corpos físicos. Eles virão para ajudar, somente isso AJUDAR! Não se deixem enganar, ou vc acha que é coincidência a Ufologia ter crescido tanto nos últimos 30 anos e tantas pessoas hoje em dia a informarem que já viram Ovnis, todavia há um movimento dentro da Elite, que sabe que quando isso ocorrer eles perderão seus poderes de domínio sobre a humanidade, por isso tentam à alguns anos colocarem no nosso inconsciente coletivo que Os Aliens, estão vindo para nos dominar e matar....que absurdo!!!!! Daí filmes como Contatos de quarto grau, A Invasão, Independence Day, A Batalha de Los Angeles, Super 8, séries tais como Falling Skies, e V - Visitors, etc...claro que há seres de outros orbes mais primitivos, todavia, o Comando Ashtar já os neutralizou, e já tem suas naves perto da Terra. Mas tudo isso é assunto para outros posts, o nosso interesse maior por agora é do ponto de vista espiritual-moral e a necessidade que todos temos de abrirmos nossas mentes e corações nestes momentos tão delicados e que nos obrigará à um amadurecimento como raça humana, mas que antecederá ao Verdadeiro paraíso!!!! Lembram das palavras belas do Cristo-Jesus em sua parábola dos trabalhadores da última hora e da ceia Divina???? então....podemos fazer parte deles, "muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos". sabem porque??? Deus não escolhe, ele não tem seus favoritos, somos nós através do nosso livre-arbítrio, que nos fazemos escolher.
     Avante queridos irmãos, se você leu até aqui, lhe agradeço e torço que seu coração tenha vibrado, eis o verdadeiro chamado, o assunto é longo e ainda vamos tratá-lo à exaustão, há muito o que conversar sobre, mas nunca esqueçamos, precisamos urgente da reforma íntima, não por medo do inferno ou de qualquer desgraça, mas porque recebemos o chamado da LUZ e a ela precisamos atender, descobrir quem somos verdadeiramente, descobrir a nossa divindade! Amigos o Comando Ashtar já lhe visita quando seu corpo repousa no sono, já entra em suas intuições, porque não lhes permitir entrar na sua vida em estado de consciência e vigília? Todos nós temos muito trabalho de amor e esclarecimento a realizar, sejamos apóstolos da LUZ, busquemos a sabedoria, libertemo-nos dos vícios materiais, com certeza colheremos muito em breve, dias bem melhores, o Comando Ashtar agradece sua atenção e seu tempo doado!  Lembre-se, todos nós somos viajores do Universo Infinito, Filhos das Estrelas, irmãos das Constelações Cósmicas,  nunca, nunca estivemos sós, essa foi mais uma ilusão nos dada para nos escravizar...VIVA e que a PAX e LUX reine em cada um de nós!

TRABALHO ESTRANHADO E A PROPRIEDADE PRIVADA


   O presente texto tem por finalidade nos mostrar o que é, e o valor do trabalho estranhado, ou seja, aquele trabalho que não é intrínseco ao ser humano, que lhe é alheio, externo. Trabalho estranhado é algo que é estranho, não pertence à essência do indivíduo, seja material ou espiritual, é algo que gera a alienação.  A conseqüência direta disso é propriedade privada, ou seja, enquanto o homem for empregado do homem e seu trabalho gerar valor para o último e não à si mesmo, teremos a propriedade privada e por conseguinte o trabalho estranhado, pois que não pertence a quem produz.
     O trabalho em essência é subjetivo, mas em sua forma fenomênica se torna concreto. Todo trabalho gera valor, seja ele qual for, pois valor é um conceito aplicado à algo ou objeto, por isso mesmo o trabalho que no plano teórico é a causa, no sistema capitalista, refém da propriedade privada é conseqüência, deste modo ele vira o objeto da alienação do próprio trabalhador. O trabalho nesta relação se torna o próprio valor agregado, deixa de ser um fim em si mesmo para ser um meio do “outro”, pois que ele é privado, de caráter particular. Não se trabalha para o que, mas para quem, assim, ele faz do trabalhador seu escravo. O trabalho não dignifica, escraviza, porque quanto mais se gera valor ao outro, mas dependente deste trabalho se é. O trabalhador gera valor, mas paradoxalmente, fica mais pobre, refém desta relação subversiva e cruel. Tem-se que trabalhar mais tempo, para gerar mais valor, todavia, este valor não é compartilhado, só gera mais lucros ao detentor da propriedade privada distanciando mais ainda o “dono” do empregado, e este, numa relação de mais-valia e oferta e procura, passa a se tornar refém do próprio trabalho explorado, por exatamente ser explorador o trabalho e lhe tomar assim, tempo, “dinheiro”, dignidade, condições, etc.
      O trabalho é a ferramenta de barganha do patrão em detrimento da condição do empregado, e este trabalho estranhado, ou seja, que não lhe é natural, pois que não produz riqueza nem muito menos felicidade. Não lhe pertence, não lhe gera auto-significação e nem liberdade, é produto diretamente proporcional à propriedade privada e ao sistema de barganha, ou seja, o ganho do empregado é o seu salário. Salário este que é controlado pelo patrão, assim como o valor do produto produzido pelo trabalho do empregado aumentando infinitamente de valor de acordo com as necessidades de lucros. Assim, estranhamente o trabalhador que produz o valor agregado ao trabalho, muitas vezes não pode consumir nem seu próprio produto, pois quanto mais valor ele gera, mais pobre e escravo fica e o produto mais cvaro no mercado. Através do trabalho o homem se apropria da natureza para gerar valor ao outro, ser estranho, e através deste mesmo trabalho o mesmo gera si mesmo como mercadoria, a sua produção lhe atribui valor mercadológico, pois que ele está preso na mais valia e na lei da oferta e da procura, como já o dissemos.

             A RELAÇÃO DA PROPRIEDADE  PRIVADA E TRABALHO

   O trabalhador estranhado torna-se o capital, e o capital é o homem perdido de si. Se o capital some, o homem desaparece, não tem mais identidade, o trabalho passa a ser sua ação de juros, se parar de trabalhar, seu capital perde valor, ele morre, não consegue mais atender as suas necessidades mais básicas. O homem enquanto trabalhador é mercadoria, é produto em circulação preso aos caprichos do capitalista. A existência do capital é sua própria existência, a economia nacional não reconhece o trabalhador que está fora das relações de trabalho, ele é um ser inerte.
     A economia nacional reconheceu o trabalho como seu principio, é sua essência subjetiva e a fisiocracia é a fase intermediária entre o feudalismo e o mercantilismo. A economia nacional é a inimiga número um, do homem trabalhador, porque nela está inserida a propriedade privada, que é a evolução da propriedade fundiária. O capital substituiu a renda per terra, e a indústria assumiu a face moderna do capitalista. Ela, tirou o homem apropriado do campo, mas que ainda retinha parte mesmo que insignificante da sua produção, para aliená-lo na cidade, e o proprietário lhe tomou os meios e os fins da produção. A economia nacional é particular e irrestrita, defendendo a desigualdade social e os estamentos de classe. É a Divisão Nacional do Trabalho, para uma economia, que politicamente, é dominado pelos senhores dos meios de produção. A medida que o homem é incorporado á propriedade privada como sua essência, não tem mais como distingui-los e separá-los, a propriedade privada é quem determina o sujeito, sendo o homem um ser objetivado e tratado externamente na relação consigo mesmo. Ele deixa de ser causa para ser efeito, massa de manobra, objetos externos sem substantivação. O homem perde-se a  si mesmo por completo, estando totalmente irrestrito aos sistema.
       O que era a conexão do homem com a terra no feudo, passa a ser sua própria significação, como não existe mais propriedade privada sem homem e vice-versa, é o trabalho e o capital quem vai definir e dá valor à ambos. O homem é desumanizado, já que não tem mais sua essência espiritual, lhe foi retirado através do trabalho estranhado. E a única coisa que passa o homem a possuir é o seu salário, que lhe é determinado o valor alheio a sua vontade, assim como já o dissemos ele equivale a mercadoria e perde valor social, pois quem está fora das relações de mercado não tem salário e não o tendo, morre, não tem mais valor ou significado para a propriedade privada e a economia nacional, não é produtivo e passa a ser encarado como um peso. O capitalista venceu o proprietário fundiário, apropriando-se de seus meios e sobrepondo-o na modernidade através da indústria.


                          EDUCAÇÃO E FORMAÇÃO HUMANA
    Desde os tempos antigos se tem uma preocupação com a formação do indivíduo de uma maneira completa, na Grécia a Paidéia, na idade média o humanismo. Todavia é com Marx que isto vai ganhar um sentido radicalmente diferente, na articulação entre espírito e matéria, e a questão do trabalho entra a tona.
     A formação humana é social e histórica, portanto não tem como ser universal e eterna, não é um modelo ideal a ser perseguido. É o trabalho que vai fundir e fundar ontologicamente o Homem. É através da apropriação histórica e cultural que o ser vai se constituindo como membro do gênero humano. A sociedade de classes produziu um desenvolvimento extraordinário material e espiritual para a humanidade, entretanto, ao mesmo tempo, esta sociedade de classes produz profundas desigualdades e diferenças, fazendo com que grande parte das pessoas não tenham acesso à esse desenvolvimento.
     Juntamente com os outros tipos de sociedade que a nossa história conhece, como a feudal, asiática, etc, a desigualdade é uma constante entre todas elas. O grande problema, é que antigamente isto era visto como algo natural por razões sobrenaturais, já na sociedade moderna, capitalista, é proclamado aos quatro ventos como ideal maior a igualdade entre os homens. Acontece que nesta sociedade a formação humana se dá prioritariamente para atender aos interesses do capital, ou seja, do mercado de trabalho, como o caráter de mercadoria do trabalho não é devidamente questionado e muitas vezes cegamente aceito, esta formação integral nada mais é que a desvalorização humana para reprodução do lucro e do capital. A formação espiritual também fica comprometida, tendo em vista que somente quem possui o dinheiro tem direito ao acesso a essas coisas. O dinheiro passa a determinar as condições de cada indivíduo e o que eles representam nesta sociedade de classes.
     A definição de formação integral se dá pelo acesso à – ou seja, numa sociedade livre deve existir obrigatoriamente a supressão total do capital, para conseguirmos ser uma sociedade humanizada, emancipada. Como é o trabalho que funda o ser social, não nascemos humanos , mas nos tornamos humanos através da apropriação do patrimônio cultural preservado, das suas leis e costumes. E por sua própria natureza a sociedade burguesa está assentada sobre uma contradição, que é o ter ao invés do ser, da apropriação do homem pelo homem. A educação teria a função de libertar o homem, desenvolver seu senso moral, sua civilidade, sua contribuição cultural, social e política como indivíduo para toda a sociedade. Trazer desenvolvimento tecnológico, para seu próprio desenvolvimento e sustentabilidade do planeta, educação física e espiritual, emancipatória, crítica, individual. Todavia, o que constatamos é que isso agride frontalmente os interesses da sociedade de classe e dos detentores de poder. Dessa forma, esta educação sempre será ilusória e limitada enquanto tivermos a exploração do homem pelo homem e sua consequente escravização.
    A educação plena não existe, do ponto de vista de relatividade que é o nosso mundo dual -  ela deve existir para superar o capital na luta e no desenvolvimento de uma nova sociedade. A educação ainda é um poderoso instrumento de controle ideológico para o capital, mas deve voltar às mãos dos homens livres, para a construção de um novo modelo de desenvolvimento social. Ativismo político e cidadãos mais críticos estariam na base dessa nova sociedade e somente assim a educação poderia livrar o homem do homem, a educação formal deveria levar ao homem uma nova concepção de vida. Ou seja, a educação deveria ser baseada completamente na lógica, na ciência na religiosidade,  na intuição e na análise de si mesma e nas suas relações contraproducentes para o Homem, assim como conseqüência, teríamos indivíduos politicamente ativos em sua comunidade.

                 EDUCAÇÃO DOS PAÍSES PEIRFÉRICOS

   O presente parágrafo aborda a criação do Banco Mundial e sua conseqüente influência na educação dos países chamados de terceiro mundo ou periféricos. O Banco Mundial surge no pós-guerra, como tentativa de países ocidentais liderados pelos EUA, de equilíbrio e fortalecimento econômico para a Guerra Fria. Por isso os primeiros alvos foram Europa e Japão. Na ONU, criou-se a UNESCO, órgão responsável pelos ditames teóricos e pedagógicos das políticas internacionais na área de educação. Todavia, no clima de hostilidade à União Soviética, este órgão defendia os interesses de liberdade individual, ou seja, alinhava-se aos americanos.
     Temos que perceber como o interesse do Capital sempre foi preservado em detrimento de qualquer outra área, inclusive alinhando a educação ao mesmo. Com a crise do petróleo em 1973, o Capitalismo conhece sua maior crise estrutural, dessa maneira ele precisa de uma “refundação”, principalmente ideológica para não colapsar de vez. Sai-se do processo industrial conhecido como Fordismo para o Toyotismo, definitivamente. Dentro deste processo de re-significação, a educação é vista como matéria-prima primordial deste nascente e novo modelo. A educação formal,  já existia à divisão internacional do trabalho, porque não alinhar o processo de desenvolvimento cognitivo do ser ao mesmo? Claro que sim, desta forma, é submetido aos países pobres um novo “programa”, modelo de desenvolvimento. Mas como se faz isso? Simplesmente subjugando essas nações. De que forma? Através do eixo principal do Capitalismo, o capital, o dinheiro, o poder econômico. Aí entra o papel do Banco Mundial, através de vultuosos empréstimos sob o pretexto de financiar o crescimento destes países, quando na verdade era apenas uma maneira direta de escravizá-los através de suas dívidas impagáveis, por conta dos juros abusivos cobrados em cada empréstimo feito. Além disso lhes é dada uma “cartilha” de administração política, tendo como referencial os países desenvolvidos, esquecendo a historicidade de cada nação e o princípio de auto-determinação dos povos, para não ir mais longe,  os principais fatores de empobrecimento destes países, como os africanos, recém independentes e filhos de uma estupenda exploração e mutilação cultural, que existe até hoje, gerando violentas guerras civis, por conta do processo de apropriação realizado na colonização africana no século XIX.
    Temos no fim dos anos 80 o famigerado neoliberalismo, com Augusto Pinochet no Chile como cobaia, depois Reagan, nos EUA, Margareth Tatcher e Helmut khol, na Inglaterra e Alemanha respectivamente, como seus maiores expoentes. É a vitória suprema da Escola de Chicago, capitaneados por Milton Friedman, Nobel de Economia, em 1985. E a  educação muito sofreu com isso, porque, passou-se a defender a tese do Estado Mínimo juntamente com a não-intervenção deste Estado sobre o capital, nem como intermediador e, ou regulador.  E o que significa o Estado Mínimo? É o Estado que abre mão, abdica de investimento em áreas fundamentais como educação, saúde e políticas sociais, para se dedicar as suas funções jurídicas e investir de acordo com os interesses do capital, ou seja, economia, infra-estrutura e modernização dos aparelhos burocráticos, por exemplo. A educação foi deixada completamente de lado? Não, todavia, passou a ser reprodutora do novo discurso capitalismo, que era a igualdade de condições, o made-yourself, a liberdade individual e intelectual. A educação passou a ser instrumento imprescindível à preparação do ser ao mercado de trabalho. O capitalismo em essência é de caráter particular, logo não pode atender ao interesse geral da raça humana, assim, a educação formal foi efetivada e ainda é cultuada no seu aspecto mais cientificista, ou seja, criar e desenvolver cientistas e mão de obra devidamente qualificadas e direcionadas á atender aos interesses da classe dominante, as vagas a serem preenchidas no mercado, ofertadas pelas indústrias, etc. Perdeu-se a educação integral do ser, para a instrução total do homem.
     A educação formal passou a ser mais um instrumento de mercantilização e escravidão do homem, gerando o trabalhador estranhado, que ao invés de reconhecer a si mesmo, mais que nunca se torna mercadoria, com a única diferença de estar mais qualificado, ou seja, mais valorizado. Isto, para aqueles que tem condições de terem acesso a essa educação, inflamando mais ainda a divisão social e a divisão internacional do trabalho, por isso o desenvolvimento das qualificações técnicas em detrimento do ensino público e gratuito universitário nos países de terceiro mundo, que se tornaram totalmente reféns do sistema. Todavia o discurso foi e é, de sinergia, de trabalhadores mais versáteis, desenvolvidos, competentes em diversas áreas, diminuindo assim as ofertas de vagas existentes. É este modelo que ainda continua sendo amplamente desenvolvido inclusive no nosso país.

     O PRINCÍPIO DA GESTÃO DEMOCRÁTICA

     A gestão democrática tem se tornado um dos motivos mais freqüentes, na área educacional, de debates, reflexões e iniciativas públicas, a fim de dar seqüência a um princípio posto constitucionalmente e reposto na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.  Comumente, o princípio da gestão democrática tem sido mais referido à eleição de diretores ou diretoras em escolas públicas. Entretanto, sem negar essa possibilidade, cumpre o dever de averiguar a situação posta e os desafios estabelecidos por essa constituição inédita.
      A gestão, dentro de tais parâmetros, é a geração de um novo modo de administrar uma realidade e é, em si mesma, democrática, já que se traduz pela comunicação, pelo envolvimento coletivo e pelo diálogo. Termos de medo e de autoritarismo, quanto uma maneira de se propor a gestação de uma nova maneira de se administrar a coisa pública. Seja em contraposição a esta cultura instalada tradicionalmente, seja em função da insistência na cooperação, a divisão de atribuições, a assinalação de objetivos comuns com normas nacionais gerais, indicam que, nesta Constituição, a acepção de sistema se dá como sistema federativo por colaboração, tanto quanto de Estado Democrático de Direito. Este princípio, ainda que abrangendo tão só os sistemas de ensino propriamente públicos, se justifica como tal, com maior razão, porque a educação escolar é um direito próprio de um serviço público por excelência.  Daí a educação escolar se tornar pública como função do Estado e, mais explicitamente, como dever do Estado, a fim de que cada indivíduo possa se autogovernar como ente dotado de liberdade e ser capaz de participar como cidadão consciente e crítico de uma sociedade de pessoas livres e iguais. O grande problema é exatamente este, quando concebida, a LDB também é subserviente aos interesses do capital, pois que coloca na família a primeira responsabilidade da educação formal do indivíduo, além de, como ter um espaço de gestão de educação se não for democrático? Assim, a nomenclatura gestão democrática de educação, na verdade é um "senhor pleonasmo". O estado passa a regulamentar o interesse privado, quando deveria ser público por excelência, quase como um favor ao cidadão. O Estado nega a si mesmo, define-se incapaz, e passa a ter que gerar leis para manutenção de um modelo que nega ao indivíduo a sua emancipação social, esta é uma grande farsa. Ou seja , a educação pública, gratuita, universal e de qualidade, deveria ser obrigação, mas o Estado afirma sua incompetência e ineficiência ao tentar regulamentar e legitimar a educação privada. A constituição diz outra coisa.
      Num primeiro momento, trata-se da gestão dos recursos, sua eficiência, transparência e modernidade nos meios. Como formas alternativas e complementares do processo democrático representativo, como que a reforçar o princípio democrático-rousseauniano da “vontade geral”. A gestão democrática é um princípio do Estado nas políticas educacionais que espelha o próprio Estado Democrático de Direito, postulando a presença dos cidadãos no processo e no produto de políticas dos governos. Os cidadãos querem mais do que ser executores de políticas, querem ser ouvidos e ter presença em arenas públicas de elaboração e nos momentos de tomada de decisão. Trata-se de democratizar a própria democracia.  Assim acontece com o projeto de orçamento participativo, tão em voga em nossa prefeitura. É neste sentido que a gestão democrática é um princípio constituinte dos Conselhos intra-escolares como os Colegiados, o Conselho da Escola, os Conselhos dos Professores e outras formas colegiadas de atuação. A gestão democrática da educação é, ao mesmo tempo, transparência e impessoalidade, autonomia e participação, liderança e trabalho coletivo, representatividade e competência. Neste sentido, a gestão democrática é uma gestão de autoridade compartilhada. Mas, por implicar tanto unidades escolares como sistemas de ensino, a gestão vai além do estabelecimento e se coloca como um desafio de novas relações (democráticas) de poder entre o Estado, o sistema educacional e seus agentes.
      No dizer, “trata-se da grande farsa educacional que consiste em separar a qualidade da quantidade, que são conceitos dialeticamente independentes, para mistificar a realidade do nosso pseudo-ensino." A grande frustração que a LDB nos traz é o fato de que ela não entra profundamente na ferida, não mexe nas estruturas escolares, não propicia o surgimento de um novo modelo. E o que é pior, coloca no seio da sociedade o dever de educar quando caberia ao próprio Estado fazê-lo. Não basta apenas legislar sobre o que deve ser feito, mas como ser feito, embora isso seja impossível enquanto nossos parlamentares estiverem atendendo aos lobbies capitalistas. Nosso sistema de ensino continuará sendo fraudulento e não permitirá a educação de um cidadão verdadeiramente crítico. O estado não favorece o libertar do ser através do ensino integral, pelo contrário, retira sua responsabilidade, a divide dentro da própria federação e faculta o surgimento de modelos como “educação para todos”, “amigos da escola”, “todos pela educação”, ou seja, o indivíduo tem que participar ativamente da educação de outros indivíduos e para isso precisa gerar e ter competência, quase sempre de maneira particular, o ensino público perde espaço.
        Caberá ao ensino privado trabalhar as nossas crianças e construir o cidadão ideal? Mas como uma empresa capitalista de interesse privado pode primar pelo interesse geral? Simples. Não pode! Assim a “libertação” através da educação sempre será de caráter parcial, tendo em vista apenas criar seres pensantes dentro de um modelo que atenda aos interesses mercadológicos, assim é normal que as atividades intelectuaais de caráter subjetivo tenham menos valor, porque geram menos dinheiro, além de representarem uma ameaça ao sistema algumas vezes. Assim, disciplinas da área de humanas terão menos valor monetário, e disciplinas das áreas que aumentem a produtividade e o desenvolvimento da tecnologia terá mais valor agregado, porque gerará mais lucros e fatalmente gerará mais trabalho estranhado, ou seja, menos consciente de si. Daí a expressão “força de trabalho”, quando, entretanto, o trabalho é inerente ao homem e é a  sua mais perfeita representação subjetiva. Nos moldes de ensino privado, só teremos adultos mercadológicos e escravos, frutos de um sistema alienatório, a filosofia perde espaço entre outras coisas. No ensino privado temos a automática repetição de um modelo, e não a superação do mesmo, e não por acaso que no nosso país ao invés de investir-se pesado nas Universidades, no desenvolvimento de tecnologia e trabalhos científicos, investe-se mais que o dobro em "compras de vagas em universidades privadas" e Escolas Técnicas, esta é mais uma maneira de enganar e escravizar ao povo!

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Os Tempos São Chegados


 Vivemos num mundo delicado em um momento delicado - de sectarismo, preconceito, superficialismo, mas tudo isso tem uma razão de ser, e é grave, cabe a nós mudarmos. A Transição Planetária finalmente chegou, o véu da escravidão moral, emocional, econômica e psicológica está com seus dias contados, mas será que estamos preparados? Será que estamos minimamente cientes do que está acontecendo e do que está por vir? Pouco importa a sua religição, pouco importa as suas crenças ou seus conceitos, o importante é o quanto você está determinado a ser um livre pensador. Você sabia que não estamos sós nesse Universo? Sabia que os Governos mentem a esse respeito e fazem de tudo para não perderem o seu "poder"? Você sabia que existe uma Elite Global que controla tudo, que faz guerra, que divide, explora, aliena, que determina governos e que controla em grande parte até as religiões e tem um único objetivo - te dominar? Sabia que parte dos "anjos" que a bíblia tanto fala e dos seus carros de fogo nada mais são que Naves Espaciais de seres que há milênios tentam ajudar a nós, Raça Humana, mas que por respeito ao nosso livre-arbítrio ainda não podem interferir diretamente? Mas esse dia está muito próximo de chegar, e eles necessitam de muita, mas muita ajuda mesmo! Como? Eles vão trazer tecnologias, erradicarem doenças, mostrar como se acaba com a pobreza sem necessidade de nenhuma revolução social, entre outras coisas, mas não podem fazer a parte que nos cabe - que é mudar o nosso coração e descobrir o valor do Amor universal, da paz e da solidariedade! O mundo está mudando muito rápido, você tem se dado conta disso??? vc sente intrinsecamente dentro de si? há uma espécie de incômodo, de ansiedade, de "algo mais" que não consiga explicar??? Pois bem, é este o sinal, é a marca que os trabalhadores da última hora carregam dentro de cada um, não importa quem você seja, de onde vem, qual sua crença e se é ou não santo! Você é acima de tudo HUMANO, filho da Divindade, co-construtor do Universo! Duvida??? pois experimente e constate por si! Ainda perdemos tempo com paixões primitivas, sejam as brigas no futebol, na política, no sexo fugidio, nas relações sem compromisso, nas festas em excesso sem engradecimento, nos trabalhos exploratórios, na falsidade, na hipocrisia, na busca frenética por dinheiro, aceitação e poder! Mas deveríamos gastar todas essas energias em comprometimento, respeito, amor, altruísmo, conhecimento, verdade! Os nossos Irmãos mais Velhos de outros Planetas estão à esperar, para que possam finalmente aparecer sem criar desespero e nenhum tipo de constrangimento! Feche mais os olhos, cultue mais o silêncio, a oração, a meditação e você meu querido amigo, meu irmão, vai sentir algo vibrando dentro desse coraçãozinho muitas vezes confuso, que há muito tempo não sente...será o nosso despertar, sem esperar por mágicas ou milagres, porque temos o nosso dever para com a CREAÇÃO! Paz e Luz!!!!

segunda-feira, 20 de junho de 2011

O Impacto da Modernidade e Globalização na sociedade



    O capitalismo é um sistema excludente. É um sistema que defende interesses privados, por isso não pode defender aos anseios da coletividade. É a sua natureza primitiva. O grande problema é que não o percebemos em sua essência, mas apenas na sua forma fenomênica, que é intrinsecamente ilusória. O capitalismo no discurso é um, na prática é outro - Liberdade? Livre escolha? Concorrência? Democracia? Made-yourself? Desenvolvimento do ser humano? Tudo isso é uma farsa. A nossa “globalização-moderna” é a representação mais perfeita dos paradigmas do ceticismo científico – é a MATRIX  da “unidade-segregada”.
      Somos todos escravos e nem ao menos nos damos conta disso. Seja no mercado de trabalho, nas relações sociais ou até mesmo dentro da própria família, somos reféns de um modelo de exploração, subjugação, onde prepondera uma evolução Darwiniana da lei do mais forte e de uma falsa meritocracia, pois não temos oportunidades iguais e o pior- nosso modelo econômico é fundado sob as teses malthusianas. Vivemos da exclusão, da exploração, da alienação e estranhamento da força do trabalho, tornar-se um ser pensante e intelectualmente ativo é sempre um risco e tratado muitas vezes como nocivamente diferente. Todavia os teóricos do capitalismo vão dizer que ele fundamenta-se na independência do ser, na livre concorrência e na força de trabalho coletivo. O que é uma mentira, porque se assumirem que o capitalismo se mantém pelo poder individual da força de trabalho, reconhecerão que na verdade são as pessoas que detêm o poder e não a Elite Global, a interação Homem-Meio-Tempo, tem um único objetivo – Lucros! De poucos, num processo de fagocitose contínuo onde cada vez mais  aumenta-se a diferença entre ricos e pobres, basta ver o que tem acontecido com a sociedade norte-americana nos últimos 30 anos e a concentração de renda existente naquela sociedade. Os grandes sempre tendem a crescer e os pequenos a serem “devorados” até sua completa extinção.  Não somos e nunca fomos de fato artífices do nosso próprio destino, mesmo que saibamos que temos muitos exemplos de superação individual, todavia, o sistema não permite e nunca permitirá que todos cresçam e se desenvolvam ao mesmo tempo, pois isso significaria sua auto-destruição, seu colapso, pois que vivemos numa sociedade onde a maioria só deseja ter e ter, assim falta para muitos, se vivêssemos num mundo onde todos desejassem dar e dar, nós teríamos em abundância, e isso não é utopia, temos significativos exemplos de modelos econômicos que demonstram matematicamente isso, como o do brilhante professor John Nash ( Nobel de economia em 1990, filme Uma Mente Brilhante – Ridley Scott, Russel Crowe) e seu filho John Nash Jr. No dizer de George Lúkacs, a humanidade caminha a passos largos ou para uma revolução social ou para a auto-destruição, a escolha é nossa. Usando a fala do próprio  Milton Friedman, um dos baluartes do neoliberalismo, em sua participação no documentário The Coporation –“ eu não acredito em democracia, não existe liberdade e democracia. O que é democracia senão grupos disputando poder e brigando pela extinção dos adversários?! Vamos para uma breve viagem histórica.
      No fim da Idade Média o Estado na Figura do Rei passa a centralizar seu poder através da guerra e da conquista de novas Terras, diminuindo a pressão demográfica que assolava a Europa. Através das Cruzadas inicia-se um maior comércio entre ocidente e oriente, dando início a uma expressiva burguesia nascente. Que se alia a nobreza no fortalecimento desse Estado, culminando com as Grandes Navegações. O capitalismo instaura-se de fato através de sua vertente Mercantilista, e no dizer do próprio Marx, a Idade do Meio trouxe em seu próprio seio, dialeticamente, a semente do novo sistema. Com a modernidade, a Europa parte numa busca frenética de exploração e acumulação primitiva de capitais- ouro e prata, complexifica-se o sistema e surge uma nova divisão internacional do trabalho. Passamos em torno 300 anos e teremos a primeira revolução industrial, a independência norte americana e a revolução francesa, que vão romper com o antigo modelo e vão significar a supressão da nobreza e instalação completa do poder do Estado sob a égide capitalista agora, industrial – corporativista – financeira (surgem as bolsas de valores), no dizer de Eric Hobsbawn é a era das revoluções, e o sistema passa a demandar mercados livres e mais consumidores. Não é a toa que a a coroa inglesa passa a perseguir o tráfico e a França napoleônica faz o mesmo. Os EUA forma  a primeira democracia verdadeiramente liberal e emancipancionista da história, numa Carta de Independência que era fiel as teorias de Lockeanas e que fora assinada por 64 franco-maçons, das 65 assinaturas existentes! Passa-se a usar o excedente populacional das cidades para trabalharem nas indústrias. Mais 100 anos e o capitalismo deixa de fato ser mercantilista para tornar-se totalmente industrial-imperialista. Assim aquela burguesia que unira-se ao Estado para chegar ao poder, passa agora a enfrenta-lo economicamente devido a imensa acumulação de capital, e este mesmo Estado começa  a se tornar insuficiente em suas obrigações como previria Locke, e terceiriza a educação, as obras-de infra-estrutura, a saúde, etc. e temos a deflagração direta dessa “guerra” quando em 1881, as mega-corporações entram, com uma proposta na Suprema Corte Estadunidense aproveitando-se da terceira emenda que foi proposta para defesa da população negra recém liberta ( dizia que ninguém poderia perder suas terras sem um devido processo jurídico, pois que o pequeno proprietário não funcionava apenas como uma pessoa, mas como uma empresa) sendo assim, disseram eles, os proprietários dessas corporações não poderiam ser responsabilizados diretamente por quaisquer irregularidades cometidas por suas companhias. Os ícones desse período áureo das corporações podem ser exemplificados com J.P. Morgan, Amschel Rothchild e a Família Rockfeller. A suprema corte aceita a argumentação, a arte-manha e cria-se a partir daí o conceito de pessoa jurídica – as corporações poderiam agora usar e abusar da lei porque poderiam se defender amplamente. Ficou  ruim?! Sim, mas sempre dá pra piorar. Em 1914 sob a presidência de Wodrow Wilson, o golpe de misericórdia da Elite Global - o então Banco Central Americano por uma emenda no congresso perde seu vínculo ao governo e passa a ser “independente”, ou seja, apesar da nomeação do dirigente máximo da entidade ser feita pelo presidente da república, passa a não prestar mais contas ao governo e atende diretamente aos interesses irrestritos de Wall Street – pela primeira vez na história humana um banco de caráter particular detinha toda a riqueza de uma nação, nação esta que estava prestes a virar  a maior potência militar e econômica que a humanidade teve o desprazer de conhecer! E porquê? Como muito bem mostra V.G. Kiernan em seu estupendo livro – Os Estados Unidos e o Novo Imperialismo, desde meados do século XIX que a política externa americana se determina e se pauta no expansionismo e na guerra, sejam republicanos ou democratas, é uma política de expansão, conquista e de segurança nacional. Aliado aos interesses do mercado financeiro, o Governo com campanha política e doações generosas de Wall Street, vão estimular e provocar as duas mais sangrentas guerras vivenciada pelo homo sapiens sapiens. A nível de curiosidade, os NAZI são financiados amplamente pela IBM e Por Sir Prescott Bush, pai de George Walker Bush, o “estabilishment”, inclusive vai eleger Hitler o “Homem do Ano”, sendo capa da revista TIME em 1934. Nessa transição do século XIX para o XX, Inglaterra, França, Alemanha e Itália vão fazer o mesmo, seguir o mesmo paradigma, e o “Lasseiz-faire, lasseiz-passes”, são amplamente empregados pelos citados governos, até a primeira crise estrutural do capitalismo, em outubro de 1929.
     Com o término da segunda grande guerra, o mundo muda - inicia-se a guerra fria, surge Israel(sionista), surge a ONU, e os famigerados Banco Mundial, Banco Asiático, FMI e o BID. Com isso, os países pobres passam a ser literalmente escravizados, tanto politicamente como economicamente, pois são a “única” saída para sua pobreza e lhes é dado “generosamente” homéricos empréstimos, com intuito de lhes determinar seu futura e suas atribuições na divisão internacional do trabalho moderna. Claro que o discurso não era esse, mas sim o de cooperação, inclusão e globalização. Até os anos 70 o capitalismo conhece seu maior ápice de todos os tempo- cambio flutuante, supressão do padrão-ouro, estabelecimento do capital volátil, expansão das economias, o sucesso do Estado de Bem-estar Social na Europa, o desenvolvimento em massa do Ocidente, até a China de Mão Tse Tung se rende a economia de mercado, o homem conquista o espaço sideral, sonha com a ciência fazendo o ser feliz, matam pela segunda vez á Deus (  a primeira foi com o cientificismo do século XVIII). Vem a crise do petróleo e o capitalismo é obrigado a se reinventar – enterra-se de vez o Fordismo e emprega-se amplamente o Toyotismo. Estabelece-se de vez a maior indústria da história do homem – a bélica, que juntamente com o maior lobby do mundo impregna o mercado de ações, e seus expoentes mais expressivos são as guerras do Vietnã e do Afeganistão- nas figuras do secretário de estado americano Henry Kissinger, George Bush( pai- diretor da CIA), e os presidentes Richard Nixon, Jimie Carter, Ronald Reagan e finalizando nas presidência da família Bush e sua famigerada Nova Ordem Mundial, o mundo passa a ser de fato como o conhecemos hoje. Mas o discurso é lindo – é o da independência individual, da potencialização do trabalhador, da educação dos pobres e das fundações das ONG’s. em 1990 no congresso mundial de educação ocorrido em Dakar é fincaiado exclusivamente pelo Banco Mundial, que passa a financiar também a FAO e ONG’s de defesa de meio ambiente. O Banco Mundial passa a financiar pesquisas acadêmicas e a financiar novas teorias pedagógicas e psicológicas, para incrementar na população mundial as idéias de vitória do capitalismo e de desenvolvimento pessoal, dando a falsa impressão de liberdade e felicidade. Claro que não podemos deixar de destacar a surgimento da Escola De Chicago e seu Neoliberalismo, nas figuras-mor de Margareth Tatcher e Helmut Kuhn na Alemanha, e claro, Salinas no México, Menén na Argentina, Collor e FHC no Brasil e outros.a defesa do estado Mínimo e a “famosa Cartilha do FMI”, que destruiu a soberania nacional dos países emergentes, impondo-lhes severas condições e determinando como ser feitos seus investimentos internos. É claro que essa conta tem sido paga até a nossa atualidade, as guerras não diminuíram, pelo contrário, a ONU cada vez mais ganha força de Polícia Mundial, o “estabilishment” mente e engana descaradamente para pretextos de fazer a guerra, como as duas guerras do Iraque e do Afeganistão, o lobby das armas não é apenas mais lobby, junto com o petróleo passaram a integrar oficialmente o governo, como Dick Cheney e Condoleessa Ricey. Políticos de todo o mundo reúnem-se uma vez por ano para deliberarem seja lá o que for, como as reuniões anuais do CFR ( Council Foreign Relations), Bilderberger’s, com membros tais como Barack Obama, os Clinton, os Bush, Tony Blair, Gordon Brown, Gerard Shoereder, etc, passando por cima das próprias constituições nacionais, como a americana, que prevê que qualquer de seus governadores só podem reunir-se no estrangeiro sob determinação do presidente, e o presidente em exercício do mandato não pode compor nenhum quadro político mundial sem autorização da Suprema Corte e da População. A modernidade atual tem gerado além de mais guerras, mais pobrezas, vide o que tem acontecido na maior economia do mundo nos últimos 30 anos, onde a concentração de renda só aumenta e o número de pobres também. O sonho americano??? Tem virado cada vez mais utopia, o homem, como nunca, se torna refém da mais valia e da especialização do mercado, o desemprego é estrutural e conjuntural, a educação não liberta intelectualmente e ser um ser pensante é sempre um risco, o Estado decretou falência e temos visto cada vez mais tentativas de privatizações dos serviços básicos, mesmo na Europa. Temos uma crise social sem precedentes, o aumento da xenofobia nos países ricos?? E a globalização? Bem, esta há muito tempo vem acontecendo, não é invenção do mundo contemporâneo, todavia, se por um lado caem as fronteiras físicas e barreiras comerciais, por outro lado se aumenta o preconceito e como diria Einstein, “ é mais fácil explodir um átomo do que um preconceito”. O mundo hoje, encontra-se sem dúvidas nenhuma, muito mais interligado, é bem menor, mais rápido. Isso é bom? Sem dúvida, a questão é que estamos construindo um Castelo sobre terreno de areia, é um processo de tempo para ruir tudo. Não fomentamos uma base sólida e verdadeiramente justa. Não pode existir justiça social onde ainda há fome, corrupção, crimes hediondos de guerra e isso não é utopia, são modelos econômicos criados por várias mentes ao longo dessas décadas, como o já citado John Nash,  que defende um modelo de verdadeira cooperação e emancipação humana e é mais um a mostrar que o capitalismo da forma que se encontra, entrará em colapso.
       Com o Filme Farenheit- 11 de Setembro, do brilhante Michael Moore, vemos claramente muito do que aqui apresentamos. A Elite Global faz a guerra para fins de controle populacional, para manutenção de determinados povos na pobreza, para acumulação de lucros através da venda de armas e para controle social dentro do próprio país. Hoje sabe-se que o ataque à Pearl Harbor era conhecido pela inteligência naval americana e pelo próprio presidente, mas não foi feito nada, pois os EUA queriam entrar em guerra mas deveriam ter o apoio da população, assim como o Vietnam, nunca houve nenhum porta aviões atacados pelos norte vietnamitas que nem caças possuíam, tinham a sombra do Comunismo ateu e “comedor de criancinhas”, o que feriam frontalmente a ética protestante-capitalista norte americana, fazendo o povo viver sob constante medo, como não há mais guerra fria, criou-se um novo inimigo – o terrorismo. A Burguesia controla as pessoas, engana-se quem pensa ingenuamente que dinheiro é poder -  informação e contra-informação é poder, quem tem a informação não só ganha dinheiro como controla quem tem dinheiro. Esse é o grande papel desempenhado por órgãos como o Mossad, o MI-6 e MI-8, a CIA e a NSA. Nós, povo ignorantes somos controlados e  manipulados de acordo com o interesse de quem está no topo dessa pirâmide. Lembra do que dissemos a respeito que nunca enxergamos a essência capitalista? Os discursos são feitos para nos fazer acreditar no que Eles querem e não naquilo que precisaríamos. Não podemos pensar por nós mesmos pelo simples fato que não temos acesso a tudo, pelo contrário, só acessamos uma pequena parte. Conspiração??? Talvez, mas vejamos o que disse o presidente Kennedy em seu último discurso antes de morrer para o povo americano: “senhoras e senhores a palavra secreto é repugnante em uma sociedade livre, e somos um povo intrínseca e historicamente aversos as sociedades secretas, e a juramentos secretos e atos secretos, dicidimos lá atrás que era demasiadamente arriscado ocultar excessivos e injustificáveis atos...existe um perigo muito grave em anunciar a necessidade de aumentar a segurança que será aproveitada por aqueles que estão ansiosos para aumentar seu significado chegando aos limites da censura e do encobrimento e eu farei de tudo o que estiver ao meu alcance para impedi-los....existe uma conspiração monolítica ao redor do mundo da qual nos opomos, que contam com meios secretos de converter-nos a sua causa...que usam a infiltração ao invés da invasão, da subversão ao invés da eleição, intimidação ao invés da livre escolha, guerrilhas noturnas ao invés de exércitos de dia...sem debate nenhuma administração de nenhum país pode triunfar e nenhuma república sobreviver...”. Para esse trabalho sujo não só no Afeganistão como em outras guerras ocorreu uma verdadeira caça a jovens sem perspectivas nos estados miseráveis para o recrutamento no exército com o discurso falsário de patriotismo e ascensão social, já que muitos deles não possuem condição monetária para freqüentar uma faculdade. A humanização no mundo Moderno vai virando lendária, o ser humano ao seu lado não passa de um mero concorrente  ou inimigo como coloca muito bem o documentário. O conhecimento antes anunciado como libertário, virou inofensivo.  Essa é a grande arma dessa elite mundial , fabrica as melhores parafernalhas tecnológicas para propagar o comodismo mundial. Para que sair da minha casa multi-equipada para lutar por um mundo melhor? Novamente a MATRIX , ou como dizem os antigos O Mundo de Maya , mundo da ilusão. Ainda acredito que o conhecimento é libertário, e que precisamos quebrar esse paradigma, mas precisamos atentar que o conhecimento mecanizou o homem o fez perder a idéia do todo, da coletividade ,  não só de nós seres humanos, mas de todo planeta que hoje é visto como insumo e nada mais que isso.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Estruturas de Dominação e Poder na América Latina Século XIX até meados do século XX

            
   Este ensaio tem por finalidade fazer abordagem devida das principais características do devir histórico da constituição do poder temporal em toda América Latina, com suas devidas singularidades, respeitando as diferenças regionais. Para tanto, faz-se necessário um breve toque no processo de independência desses países e o como as respectivas sociedades  formaram-se e foram constituídas. Já sabemos de ante-mão que a colonização ibérica se deu de uma forma absolutamente exploratória, sendo quase inexistente o processo de urbanização e organização social tão comum nos Estados Unidos por exemplo. Dessa maneira, facilmente compreendemos que, no momento de ruptura colonial com suas respectivas metrópoles, além  de estar inserido em um contexto global, as pessoas que faziam parte da elite de então, que tiveram o poder em suas mãos, eram exatamente aquelas que já se encontravam de forma privilegiada de certa maneira, já possuíam o seu “status” social, e por isso tomaram as rédeas dos acontecimentos, com objetivos que serão plenamente esclarecidos neste texto.
              
             A CONSTITUIÇÃO DAS CLASSES DOMINANTES NA AMÉRICA                   
    Para compreendermos as estruturas de dominação e poder surgidas em toda América latina ao longo do século XIX até meados do século XX, precisamos retornar nossa memória ao processo de colonização e independência das então colônias ibero-americanas. Sabemos que esta colonização proferida por Portugal e Espanha, foi feito de maneira patriarcal, patrimonialista e extremamente burocrática, através de uma centralização quase total de poder, com emissários diretos de El-Rei nos mais altos cargos administrativos da colônia, mesmo quando realizado por empresas privadas por incapacidade financeira da Metrópole. Não podemos descartar e subestimar a importância do capital privado que participou do processo de colonização, entretanto é complicado afirmar quem estava submetido ao poder de quem: se As Coroas Ibéricas atendiam aos interesses do Capitalismo Mercantilista ou se esse Capital atendia aos interesses Régios. Provavelmente um e outro- o fato é que pouco importa isso, pois o fim era o mesmo- subjugação, exploração, extermínio.
    Oras, desde já criam-se estamentos muitíssimos bem determinados - escravos, o poder religioso, a nobreza “pura” e a “mestiça”, ou seja, os descendentes de nobres nascidos nas terras coloniais. Temos uma intensa concentração de terras, tendo em vista o capitalismo empregado por aqui, o modelo agroexportador-extrativista. Com o tempo, o comércio intra-colonial ganha força e surge uma classe relativamente significativa  burguesa, que passa a sofrer grande influência de correntes de pensamentos mais liberais provenientes diretamente da Velha Europa, através de seus filhos que iam estudar por lá, seja em Portugal, Espanha, França ou Inglaterra. Aliado às Revoluções Industriais inglesa e posteriormente francesa, um grande interesse externo por maior mercado consumidor, produtor de matérias-primas e independente politicamente, teremos como conseqüência direta o processo de independência desses países latino-americanos. Mas quem foi que comandou este movimento social? Evidente que foi quem detinha o poder, que nesse caso podemos traduzir por capacidade econômica, assim temos os senhores de terras (latifundiários), alguns comerciantes e os chamados “crioullos”, descendentes diretos da nobreza da então metrópole, que muitas vezes ocupavam cargos importantes administrativamente, principalmente a nível municipal. Assim temos configurado de forma clara e distinta a Nova Elite, que comanda militarmente, politicamente e economicamente as lutas por independência. E o resto?! Ah, esses são apenas resto mesmo, meios para um fim bem particular - a divisão do novo Estado prestes a ser formado, como bens de família, neste caso, famílias, uma espécie de merecida herança aos “eleitos” e “iluminados”.
       Não podemos nos esquecer e merece destaque especial, a miscigenação e heterogeneidade dos povos então em formação e sua pouca ou nenhuma noção de nacionalidade. Até hoje podemos perceber isso no interior de vários países, quando tribos indígenas ou outros pequenos grupos de países como Brasil, Paraguai, El Salvador, Colômbia, entre outros, não conhecem sequer a Bandeira Nacional de seus respectivos países. Como podemos falar em Nação, mesmo atualmente, se esta nação não está incorporada na cultura de milhões de pessoas que ainda possuem línguas, culturas, hábitos diferentes? E há 200 anos atrás? Muito menos. Facilmente controlada pela ignorância política e social, pela pouca identificação com a terra onde vivia e a cultura imposta, escravos vindos de outras partes do Globo, índios e mestiços sequer tinham noção do processo histórico no qual estavam submetidos. Intensa exploração e exacerbado preconceito com os nativos, além claro, do fato de estes, em algumas partes terem sido praticamente extintos. Dessa forma, quando este novo Estado é formado,  quase nenhuma consciência social existe. Coesão? Vã utopia! Princípios, ideologias, rumo político, vontade nacional, auto-determinação?! É de fazer rir. Claro que abre-se facilmente caminho para ascensão e consolidação no poder daqueles que já estavam instalados na burocracia da colônia., nas veias contaminadas do Novo Mundo. Essa gente, como já dissemos, latifundiários e pessoas ricas em suas atividades particulares. Presença do Estado nos lugares mais remotos? Quase nenhuma, até porque surgem ( os Estados) ideologicamente como cópias baratas e mal feitas das experiências norte-americanas e francesa, não havia exército, justiça, saúde, educação ou empregos em escala nacional. Assim o frágil poder central não tem como abarcar toda a gama de necessidades dos povos recém-formados. Impõem-se então a figura do cacique, caudilho ou coronel, que guardadas as devidas singularidades regionais e culturais, representam as mesmíssimas coisas, ou seja, o patrono, patriarca, o benfeitor de determinada região aos pobres e deserdados de promissor destino.

                 A FORMAÇÃO DAS OLIGARQUIAS E CONTROLE SOCIAL
       São estas figuras que intrinsecamente tinham condições de gerar “ordem e paz social”, devidamente entre aspas pelo simples fato de que em quaisquer destes casos, os fins sempre justificaram os meios, logo, necessário sendo, a violência, ameaça e o medo imposto aos subjugados, sempre foram largamente praticados para o controle social. Se ainda tivermos em conta, as disputas regionais com o risco iminente de guerra civil em algumas localidades e as diferenças linguísticas dos dialetos falados nas comunidades, a figura deste chefe local constituiu-se como um simbolismo extremo, de um pai que está a proteger seus filhos de todo o mal e perigo externo, seja de uma calamidade natural, seja da fome, ou de grupos rivais. É de certa forma um "sistema feudal" que usa muito bem o sistema capitalista a seu favor, através da exploração e da geração de lucros através da abstração do trabalho. E esforços não serão poupados para isso, muitos senhores serviam como intermediários de favores políticos, de elo com o governo federal e serviços de assistência básica, era quem financiava e comprava a produção do pequeno produtor, era quem cedia terras para subsistência, ou quem dava abrigo e emprego para quem não os tinha. Evidente, que era de seu interesse manter estas comunidades afastadas entre si, tirando quaisquer chances de independência. O não investimento em educação e a manutenção de baixos salários aos empregados ou “clientes” era prática mais que comum. Mas para configurar esta estrutura de dominação era fundamental a presença física (usando um termo romano) do “DOMINUS”. Era a materialização do poder temporal. Se o caboclo entregava seu coração à Deus dentro da Igreja (aqui podemos chamar claramente de Apostólica Romana já que a presença Protestante era quase insignificante, constituindo apenas algumas comunidades quase todas elas autônomas, num modelo eminentemente americano), fora do templo, sua vida, seu corpo, sua mente pertenciam ao seu senhor. Líder seguido sem questionamento, e não podemos nem classificar como fidelidade cega, pois era a única via possível de “ser enxergada”. O pobre não tinha consciência cívica, e nem poderia ser diferente, não poderia se unir e se auto-representar. É dentro deste contexto histórico-social que temos o fortalecimento das oligarquias, ou seja, a ratificação do poder político de um ou mais grupos defendendo os seus interesses em comum. Mas podemos perguntar-nos – não é paradoxal termos famílias rivais ou grupos que se unem politicamente? A princípio sim, todavia a estratégia era a manutenção deste poder estatal, para que ao controlar o estado, seus interesses econômicos estivessem absolutamente garantidos. Quais interesses? O da exportação. A grande maioria desses senhores, como já foi dito, eram donos de terra e dependiam do mercado externo para lucrarem com a venda de seus produtos, que eram matérias-primas de maneira geral, daí também a grande dependência do capital estrangeiro, e assim alianças eram feitas com empresas e grupos estrangeiros para fortalecer o "status quo" vigente. Mas podemos questionar – com o passar do tempo o Estado não se Fortaleceu? A resposta é sim. Entretanto isso só foi possível com alianças feitas juntamente com o poder local para manutenção da ordem civil e controle social, em troca de representatividade à esses chefes e continuidade de seu poder. Assim, quando ocorre de o Estado se encontrar verdadeiramente forte e poderoso, o ocupante destes maiores cargos políticos é exatamente aquele que outrora controlava seu curral eleitoral, ou como foi chamado aqui no Brasil, tinha seu “voto de Cabresto”. A partir daí entra em cena um novo “personagem” – o voto universal!
       Um olhar mais pueril pode enganosamente afirmar : quanto menos gente votar, mais fácil de se controlar! Não! Era necessário fortalecer, legitimar e ratificar este poder. Isto fora feito através do voto, que deixa de ser censitário e passa a ser naturalmente universal. Raciocinemos - um voto censitário, requer uma comprovação de renda mínima, e que não é pouca, assim, só existia aqueles que votavam entre si, pois eram pertencentes as classes dominantes ou da burguesia ascendente, quem votava era quem já tinha dinheiro, e como vimos, era quem detinha  o poder, maior ou menor. Com o passar do tempo, essa população cresce, aumenta a expectativa de vida e a acumulação de riqueza, logo esse “bolo do poder” passa a ficar mais escasso para o contingente crescente, assim se fez necessário aumentar o número votante de pessoas e ratificar no poder aqueles que realmente detinham-no de fato – contado em números de cabeças, não de gados, mas de pessoas, mesmo que de repente se tivesse um menor poder financeiro, caso seu rebanho eleitoral  superasse o do adversário, você teria a chance de ter o poder em suas mãos, podendo  tentar destruir seu oponente político ao ocupar posição de mando.
      Segue-se daí a mesma troca de favores entre patronos e sua clientela, a mesma dependência, o controle de terras e da agricultura, inclusive em muitos casos ampliando-se, e a questão do status social. Oras, desde os tempos coloniais, nossas sociedades em formação sempre foram reféns de títulos, ou seja, a representatividade do Fulano de tal – assim o Beltrano passar a ser respeitado e reverenciado porque é filho, neto, sobrinho, afilhado, enfim, compadrinhado do Fulano por conta que o Fulano é o dono da cidade, região, estado. Tudo isso serve como semente para num segundo momento o fortalecimento do poder central, quando o Coronel, cacique ou caudilho ascende a posições maiores, não livre de guerras, conchavos, falcatruas eleitorais e alianças espúrias, levado sempre pelo desejo de controle e poder do maior número de pessoas, chega aos cargos elevados, constrói-se um processo reverso do inicial – controle estatal. Pode parecer um pouco confuso à priori essa estrutura, porém não nos esqueçamos a dialética do poder- A contradição. Os grupos tinham interesses em comum, mas não confundamos isso com união, igualdade, harmonia, pelo contrário, a briga e a discórdia sempre fora grande entre a Elite,  o importante era que esse poder permanecesse da maneira que estava - entre eles! Assim as rinhas regionais eram comuns, mas a representatividade de toda uma classe não poderia ser alterada! Acrescente-se a isso o contexto externo, chegamos ao século XX e com ele o fortalecimento do capitalismo industrial de Estados Unidos e Inglaterra, França e Alemanha. Países estes que vão de todas as formas disputar mercados, aqui na América também. Assim, por forças maiores, se faz mais que necessário a união com o capital estrangeiro, o que não é novidade, porque em todos os países da América ibérica isto dá-se inicialmente nas brigas de independência e necessidade de reconhecimento internacional. Mas é nessa fase, que o poder privado vai de fato instalar-se nas novas repúblicas, primeiro de maneira indireta através de bancos, empréstimos e comércios de importação e exportação, e depois de forma direta com o aparecimento físico das multinacionais em várias localidades. Desta maneira as elites passam a depender do financiamento do dinheiro estrangeiro e por outro lado aproveitar-se dele. Vejamos: com mais gente votando, é o senhor de terra que providencia o transporte, a alimentação, vestuário e até mesmo moradia aos eleitores para que eles possam exercer seu papel cívico, já que os locais de votação eram em sua maioria extremamente distantes. Além claro do grande feirão de compra de votos e de corrupção do poder burocrático em benefício próprio. Neste momento o mundo já é sacudido pelas idéias comunistas e em 1917 se tem a primeira experiência vitoriosa de um partido comunista – a Revolução bolchevique no Grande Império Russo Czarista. Para uns, acendem-se as luzes de alertas, para outros mais visionários, uma grande oportunidade de aparecimento e disputas : um controle mais sutil, delicado, menos opressivo mas não menos eficaz, pelo contrário, surge - o controle ideológico, partidário e sindical, que irá inundar os Estados, fazendo Dele, não mais o fim em si mesmo, e sim o meio mais eficaz de controle e arregimentação. O que fazia disso, algo demasiadamente filosófico e abstrato às mentes mais impacientes e ambiciosas capitalistas, e foi aí que lentamente começou a ruir o poder do dinheiro, sem ao menos se dar conta, o que é a derrota mais desgraçada de todas – cair tendo a certeza de que ainda se estar por cima. A semeadura fora feita, a colheita torna-se obrigatória, e pacientemente, estes partidos comunistas iriam aguardar mais de meio século na maioria dos casos para verem os frutos. Agüentando perseguições, guerrilhas, ostracismo, entre outras coisas. estes partidos de esquerda vão aos poucos construindo uma base tão sólida, que nem o Capitalismo é capaz de derrubar. Mas olhe-se bem, não nos referimos à uma crença, pois elas podem e são diversas vezes modificadas, falamos de uma convicção, e o verdadeiro comunista é convicto, tudo suporta, tudo aguenta, tudo sofre, tendo sempre em mente seu objetivo final – que ao contrário do que muitos pensam, não é a extinção completa e absoluta do capitalismo. E sim seu controle, sua total subserviência, não se tem prazer em matar seu maior inimigo de forma rápida e eficaz, não,  e a história humana mostra isso, prazer verdadeiro é - antes de vê-lo padecer, é cair cambaleante, torturado e humilhado. O capitalismo domina pelo dinheiro, o comunismo conquista pela mente e o coração. Qual será o mais forte, o objeto abstrato ou o sentimento pulsante? Ninguém morre pela “causa do dinheiro”, mas muitos morreram por suas utopias!

        OS EUA, OS SINDICATOS E O GOVERNO PATRONAL
  Como já debatemos, com a  virada do século, temos uma conjuntura internacional bastante fervilhante: o capitalismo industrial, o “boom” das cidades, aparecimento em massa de fábricas, a modernidade influenciado todos os ramos da vida das pessoas tais como as artes, a política, a economia. Disso devemos apreender que o Estado já se encontra mais soberano do que nunca, pelo menos do ponto de vista político, e centralizado. Vimos que as disputas regionais entre os chefes dominantes eram intensas, porém a nível nacional oligarquias foram plenamente vitoriosas nos seus projetos de Poder. Inaugura-se uma nova fase – interferência norte-americana e os sindicatos.
     Os EUA já se configuravam como uma grande potência mundial, mas tomaram uma postura de isolamento em relação a Europa. Com isso, passou-se a investir demais nos países americanos, subjugando-os a quase total dependência econômica em alguns casos. O capitalismo industrial-comercial se desloca de vez para cá, e como conseqüência, já cansados de tanto longo tempo de exploração, esses novos trabalhadores das cidades, passam a organizar-se através dos sindicatos. Também ocorre o mesmo no campo, mas de forma efêmera e pouco organizada, são raros os casos de sucesso de grupos campesinos, como no México na Revolução de Zapata, onde pagou-se um preço caríssimo, mais de 1 milhão de mortos! Além de que muito o campo sofreu da influência da cidade – pessoas que haviam emigrado em busca de novas oportunidades, ao misturarem-se nesses movimentos, acabavam tentando levar uma espécie de células para seus lugares de origem. Mas evidente, nem tudo foram flores, ao contrário - esses sindicatos passaram a ser controlados de forma indireta pelos governos, como uma maneira de lhes garantir algumas reivindicações e ao mesmo tempo tê-los sob sua tutela. Vimos um exemplo muito claro disso tudo, aqui no Brasil, principalmente na Era Vargas, onde foi um momento de intensas transformações legislativas-trabalhistas,  via-se o Presidente como se fosse um “PAI” dirigindo os seus filhos. Se na cidade ficava mais difícil o controle através da ameaça, violência e controle de empregos, pois que surge nessa época e de uma maneira mais significativa, a classe média, principalmente comercial e artesanal, no campo a história é outro, e os coroneis ainda mandam e desmandam. Sabemos que a cidade por motivos intrínsecos tem toda uma dinâmica própria, o que facilita o desenvolvimento de pensamentos, correntes filosóficas, o questionamento,  organização social, etc. Em casos mais extremos, a polícia passa a ser usada como instrumento particular de auto-proteção do governante e principalmente como modelador social, evitando revoltas, greves, manifestações. Por tudo isso, a melhor maneira da elite conter o ímpeto do povo é atingir-lhes na raiz, no coração, ou seja, na ideologia, e nenhum meio seria mais eficaz que o controle dos sindicatos, que indicavam trabalhadores aos cargos, nomeavam,  distribuíam emprego, fomentavam esperanças ou descrenças, arregimentavam, cuidavam e principalmente serviam-lhe de ponte para o Estado. Controlando quem controlava os sindicatos, de maneira muito sutil controlava-se a grande massa operária. Nunca é demais lembrar que é nessa época que surge um fenômeno conhecidíssimo em nossas páginas históricas: o Populismo, ou seja, sem cair na armadilha de definir com exatidão este conceito tão complexo, pois que se desrespeitaria a historicidade de cada povo e região, podemos dizer de uma forma bem abrangente que foi um período histórico que marcou a aproximação do Estado com o povo, seja através dos sindicatos e controle ideológico, ou com a mitificação de quem o comanda através de intensa propaganda, muitas vezes abusando do nacionalismo, do sentimento de pertencimento e dos clamores populares.
     E qual o papel desenvolvido pelos norte-americanos? O controle do capital e da informação, as duas únicas vias de independência de um grupo social. Era o dólar norte-americano que estava por detrás dos grandes bancos que financiavam as produções agrícolas e industriais, era dólar americano que estava por trás das grandes companhias exportadoras ou de navegação, era dinheiro americano que financiava grupos políticos, eram produtos americanos que passaram a abundar nos portos da Sulamérica e  América central, era dinheiro americano que passa a financiar as tímidas iniciativas industriais regionais, que muitas vezes inclusive estavam atrelados à multinacionais. Além de que, a propaganda norte-americana passa a ser siginificativa, além de seus produtos, a música, seus profissionais, o então nascente cinema que vira febre a partir dos anos 30.
   Com tudo isso podemos perceber, mesmo que de uma maneira mais superficial, porém lógica que, mudaram-se os cenários ou personagens, mais a tragédia continuava a mesma, ou seja, dominar aqueles que não pertenciam a Classe – que tinham instrução, poder, dinheiro, terras, nomes! Os anos passaram, as formas se transformaram, deixaram de ser tão diretas e passaram a ser indiretas, sutis, todavia não menos cruel, pois que nunca permitiu de fato uma ascensão social, naquilo que nos Estados Unidos se conhece como “made yourself”, nunca tolerou-se a diferença,  a contestação ou a organização. Concentrou terras, riquezas, fez do analfabetismo uma prática comum, criou a cultura do jeitinho, dos favores, minou as chances de civilidade para uma nação justa e fraterna e até hoje pagamos o preço de tantas aberrações, em um século construiu-se uma cultura que apenas a história será capaz de mostrar quanto tempo precisará para destruirmos essas instituições corruptas e ineficazes que ainda embrutecem o povo e o humilham, e são obstáculo não só ao progresso, mas ao desenvolvimento de maneira igualitária e sustentável.

A QUARTA REVOLUÇÃO

 Ao longo dos últimos 260 anos, a humanidade se transformou socialmente, economicamente, politicamente e cientificamente, de uma maneira que provavelmente desde o surgimento do período Neolítico nunca antes tenha acontecido. Estamos falando das grandes revoluções conjunturais e estruturais. Primeiro, no século XVIII, a partir de 1750, com a Primeira Revolução Industrial, depois no final do século XIX, a segunda revolução industrial-tecnológica, com a consolidação do capitalismo industrial, o aumento exacerbado das fábricas, a internacionalização das empresas, etc. Mais precisamente desde o início dos anos 90 do século XX, vimos surgir a terceira revolução tecnológica e a mais significativa de todas. Significativa, pois que se as outras duas foram conseqüências de uma mudança nos paradigmas que sustentavam a sociedade moderna, esta terceira ao contrário, foi quem gerou e está gerando essa mudança paradigmática. Ou seja, com o aparecimento do capitalismo, do renascimento, das revoluções religiosas na Europa, o homem passa a desenvolver o que hoje conhecemos como ciência, se põe como centro do universo, amplia sua cosmovisão, ou visão de Universo. Essa profunda mudança de paradigma, filosófico-religioso, culminou com o aparecimento da burguesia, do desenvolvimento das diversas filosofias, das ciências humanas e exatas, de uma reestruturação social quase completa entre outras coisas, o que gerou as revoluções tecno-científicas. Deus perdeu espaço, passou a ter residência quase exclusivamente dentro dos templos religiosos. A busca humana se direcionou ao poder temporal, material, às suas necessidades primevas, ao tátil. Esta terceira revolução à que me refiro, logicamente é a revolução das tecnologias de informação, o computador, o celular, a internet, as redes sociais, a informatização quase que completa do planeta Terra e a conexão quase total de todos. Tudo isso fez e faz uma transformação sem precedentes na organização e nas relações sociais. O mundo torna-se cada vez “menor” e ligado, acabam-se as fronteiras nacionais e com elas as de outros tipos, o homem conhece cada vez mais os de sua espécie, fala línguas diferentes, conhece culturas, gostos, comidas, danças, vestimentas diversas, seu psiquismo se torna refém de uma grande avalanche, seu mundo interior se encontra no meio de um turbilhão, enfim, o homem reinventa-se.
      As duas primeiras revoluções se deram de maneira bem mais gradual que esta última, além de atingirem parte por parte de toda a sociedade, seguiram uma lógica perfeitamente cognoscível. Essa não, nasce grande, e como disse, as duas primeiras são conseqüências de mudanças na cosmovisão da sociedade que resultou em conseqüências no modo de gerar riquezas e do ser social. Já na Terceira Revolução, o que percebemos é que ela parece não ter pai ou mãe, de ter uma ideologia por trás, muito menos um paradigma. No máximo pode ser a conseqüência de uma grande confluência de pensamentos e visões de mundo, provavelmente muito mais em decorrência de um surto de desenvolvimento e uma busca incessante pelo controle do meio e do Espaço, todavia  está gerando um novo paradigma científico, psicológico e social. Se a ciência convencional pensava estar atingindo seu ápice, descobre agora que apenas começa penetrar um caminho tão profundo quanto a ignorância humana, tão vasto como o próprio Universo, que aliás, ainda não entramos num consenso se ele é infinito ou finito, se está em expansão ou retração, assim como a filosofia da ciência não pode afirmar ainda se o conhecimento humano tem ou não seu limite. E isto é a primeira vez que ocorre com o homo sapiens, acho até que é mais revolucionário que a invenção da fala, da escrita, da roda ou do fogo, porém cabe e está aberto novas discussões sobre esse aspecto.
       Com a revolução da informática e da comunicação, o ser humano passa a ser onipresente, onisciente, ser causa de quase todos os efeitos, pelo menos do ponto vista social, é como se ele de fato assumisse a posição que já foi do Creador...a de Criar! Criar coisas, criar quase tudo. E isso tem gerado mudanças demasiadamente significativas, levando a uma ruptura do pensar humano, levantando dúvidas, perguntas que jamais foram perguntadas, levando à reflexões e abstrações que há poucos anos seriam imagináveis, inalcansáveis ao pensamento humano. Mais que isso, tem mexido com gerações -  todas as anteriores que ainda existem, as que estão surgindo e as que surgirão, mas tudo isso numa velocidade e numa capacidade de impactar sem igual, talvez por isso, sejam as mais radicais revoluções existentes na história da raça homo-sapiens. Será que ao menos temos uma vaga ideia de como nosso modo de vida se tornou dependente de tudo isso?! Será que ainda lembramos de como era antes de tudo, do celular do computador ou da internet?  Será ainda concebível a política, a economia, as relações sociais sem isso? Estamos preparados para lidar com tamanha transformação? Estar no Brasil e falar com qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo de forma imediata, namorar, conversar, discutir, interagir através de orkut’s, blogs, facebook’s, e-mail’s, sítios, etc. A velocidade, a quantidade e a qualidade de informações é algo estupendo, tudo isso gera conseqüências até mesmo imprevisíveis. A questão é; a nossa vida melhorou? O homem está mais feliz atualmente? O homem que conhece bem mais do seu semelhante já desvendou os maiores mistérios e segredos de si, seja no corpo ou na mente? O ser humano aprendeu tudo o que tinha para aprender com experiências dolorosas do passado? Um olhar menos atento e mais superficial logo dirá -  bobagem a resposta é fácil: claro que SIM, temos tantas coisas que facilitam a nossa existência que não tínhamos antes, tudo avançou, da sociologia à medicina e por aí vai!
     Pois vejamos, a OMS insiste afirmar ano após ano que a doença que mais atinge ao ser contemporâneo é a depressão, os índices de suicídio, de dependentes de remédios e drogas de todas as espécies só aumentam, ainda temos milhões de pessoas no mundo morrendo à fome, que não tem acesso as mínimas condições de vida, o homem ainda está em guerra por todas as partes do mundo, ainda vive de forma tribal, sectarista e auto-destrutiva, e mais que nunca está escravizado ao dinheiro. Não vemos mais cultura nas pessoas, elas não lêem mais que antigamente, e se a expectativa de vida aumentou significativamente, nunca antes foram vistas tantas doenças e epidemias. Se antes o homem era escravo de outro homem, ( não que ainda não exista escravidão), atualmente ele é totalmente escravo de um modelo, de uma idéia, ideologia, de um sistema, que possui vertente econômica, social e política. Muitos festejam e se orgulham da vitoria que chamam de total e absoluta do Capitalismo. A solidão se instalou nos corações humanos, o ser humano tão onipresente e onisciente, talvez nunca antes tenha distado tanto de si mesmo e de seus iguais. A Raça se encontra em crise, e dá mostras claras de se encontrar em grande confusão e desequilíbrio, seja psicológico ou biológico, está aparentemente perdido, e as poucas lideranças que tem aparecido para indicar um novo caminho não têm sido suficientes. O SER está Só! Busca muitas vezes, de maneira desesperada e imatura à Deus, numa tentativa quase sadomasoquista de encontrar a si mesmo e retomar o caminho da felicidade, pois que tem perdido esperança e mostra estar decepcionado com as ciências, que tanto prometeram extirpar o sofrimento da Terra e não o conseguiram. Quando não é Deus que procuram, buscam satisfação imediata nos vícios e prazeres estapafúrdios que somente realçam todas essas mazelam a que nos referimos. O que está faltando? Qual a solução? Existe um modelo político-econômico auto-suficiente e perfeito capaz de gerar felicidade total ao homem? Todas essas perguntas e todas outras que vão à mesma direção tem por resposta uma única: A quarta revolução, ou Reforma Íntima!
        O homem atual se eleva a cima de quaisquer perspectivas antes imaginadas, porém sobre lacunas vulneráveis em terrenos de areia. Falta-lhe o básico e o óbvio, o autoconhecimento. É como se estivesse fazendo uma imensa curva para chegar a um ponto que sempre encontrou-se logo à sua frente, mas sua visão turva não lhe permitira enxergar antes. Desprendeu um grande esforço e dispensou doses cavalares de energia para começar a compreender a sua verdadeira natureza, objetivo e capacidade. Oras, autoconhecimento esse, que já é bem conhecido de nossos antigos, seja na Magna Grécia de Sócrates ou no Egito de Akhenaton, na Pérsia de Zoroastro ou na Índia dos Vedas,  na China de Lao-Tsé e Confúcio ou na Roma de Sêneca e os discípulos de Zenão,  que era grego por sinal. O homem na verdade não descobre nada, apenas relembra e se volta ao seu passado, que tantas vezes lhe parece um grande cofre fechado hermeticamente, mergulha no ocultismo-esoterismo de tradições bem antigas, ou busca dar uma nova interpretação ao judaísmo-cristianismo e islamismo, começa a  ver que nada poderia ou deveria ser desenvolvido e construído sem um completo auto-domínio. É esta revolução que está prestes a acontecer de fato, que falta, e não falta apenas para completar um lindo quebra-cabeça incompleto, mas porque é esta a  pedra angular que lhe facultará o gozo completo de suas faculdades e potencialidades, o que fatalmente resultará em felicidade e paz social. O ser passando a conhecer-se profundamente, passa a melhor ver sua realidade e seu mundo com tudo aquilo que lhe pertence. Desaparecem-se os sectarismos infantis, deixa-se de lado a busca incessante e ordinária por poder, pois que se compreende que numa sociedade que todos só querem ter e ter, falta para muita gente, mas numa sociedade em que todos preocupassem-se em dar e dar, todos receberiam em abundância, pois o Planeta Terra é abundante, o UNIVERSO  é abundante. Realmente aprendería-se que temos a mesmo origem e somos iguais, nosso DNA dá mostras claras disso.
       Mas esta mudança se torna cada vez mais perceptível e chama atenção de um número crescente de pessoas. E podemos perceber este movimento em quase todas as facetas sociais - na ciência a física quântica vem ensinar a pequenez do homem perante as leis do universo e a relatividade das mesmas dependendo do que é analisado, ao demonstrar que a matéria “não existe” e que é muito mais um conceito, uma idéia, já que é formada por átomos e partículas menores como quarks, neutrinos entre outros, e tudo isso  é energia, fazendo  modificar radicalmente nossas crenças e nosso papel no universo, na verdade derruba por completo qualquer desejo de se afirmar o que de fato é o universo, pelo menos por agora. A parte esotérica de todas as religiões tem aparecido e se tornado bem mais acessível e popular, trazendo novos paradigmas à religiosidade humana. A medicina tem andado a passos crescentes em direção ao Holismo, os movimentos sociais humanistas tem ganhado força, a luta contra o autoritarismo e corporativismo tem se intensificado, já não aceitamos como raça humana de maneira racional, os assassinatos, e mesmo naquelas sociedades que defendem ainda a pena de morte, é após um processo jurídico, que falho ou não, cada vez menos está sob a batuta pessoal de alguém. Nossa sociedade já rejeita sacrifícios humanos, a escravidão, a extorsão e a exploração do fraco pelo forte, mesmo que essas práticas tenham progredidos à formas mais sutis, já não se aceita de bom grado tudo isso! Sinal de que o homem se encontra mais consciente. Muitos ao lerem tudo isso debocharão, discordarão e até mesmo se revoltarão contra essas palavras, argumentando inclusive que estou caindo em contradição com o que foi afirmado linhas a cima e com as evidências que temos diariamente em nossos noticiários e cotidiano. Entretanto precisamos compreender o seguinte: como afirmava e demonstrou perfeitamente Marx, todo modelo traz em si, dialeticamente falando, o gérmen da sua antítese, logo com tanta destruição e desgraça, de forma simultânea inclusive, vemos nascer um movimento em direção oposta. Aí temos as ONG’s de defesa social, a busca pelos direitos humanos, movimentos de jovens inclusive de filantropia e assistência de diferentes maneiras, uma busca incessante por igualdade social e justiça. É a dualidade em plena ação. E como nos disse o nobre pensador, da tese e sua antítese, teremos uma síntese, que é o que ainda está para acontecer, ou seja, nem tanto ao céu, nem tanto ao mar, na síntese encontraremos características tanto da tese como de sua antítese, todavia não é nem uma coisa nem outra. Se temos por um lado fanatismo religioso, temos do outro materialismo intenso, a síntese de tudo isso será uma religiosidade nunca antes experenciada pelo homem, uma ligação direta com a divindade, sem precisar de intermediários, seja de pessoas ou instituições, mas também não oprimiremos as ciências, que terão seus espaços, mas como algo concomitante na vida do ser, tanto a religião e a ciência deixarão de ser um fim intrínseco e passarão a ser meios de algo, à felicidade e o desenvolvimento humano. Se tivemos uma briga ferrenha entre capitalismo e socialismo e aparentemente o capitalismo venceu, temos um quase esgotamento da sociedade, virou um verdadeiro barril de pólvora prestes a explodir e gerar caos. Teremos muito em breve o nascimento de um modelo novo seja qual for o nome dado, sem grandes revoluções ou teóricos,  de forma natural, até mesmo porque será muito mais uma conseqüência de mudança de pensamento e paradigma do que uma ruptura completo com o passado como pretendia os antigos filósofos comunistas. Se tínhamos e ainda temos a exploração do homem pelo homem, teremos a partir de então a cooperação, a sustentabilidade,  projetos de desenvolvimento a longo prazo. Se tínhamos antigamente o isolamento de culturas, o preconceito ferrenho ao diferente, e  hoje estamos angustiados e aflitos com a globalização e a universalização da cultura em detrimento das particularidades regionais, teremos em breve, a fundição do todo com o particular, com a manutenção das singularidades e o desenvolvimento das sínteses em todo mundo. A Terra não será nunca um Planeta absolutamente homogêneo, todavia será bem mais coeso, harmônico e equilibrado.
       Tudo isso só será possível através desta quarta revolução, que se é verdade que ela é a única de cunho totalmente filosófico-abstrato, é também a única capaz de ensinar verdadeiramente o significado de paz social. É no autoconhecimento que o homem compreenderá melhor o sentido de termos já tão utilizados hoje em dia, como pró-atividade, alteridade, respeito às diferenças, crescimento nas desigualdades, complementaridade e simultaneidade. Como já fora ensinado no Egito Antigo nas escolas de mistérios dos sacerdotes, o que está em cima é igual ao que está em baixo, ou como diria Einstein, o micro-cosmo é a repetição do macro-cosmo, assim, sendo o homem biologicamente e fisicamente inclusive, é uma imitação do universo. Afinal tudo é energia, é composição distinta dos mesmos átomos e como nos ensinou Lavoisier, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma, o carbono que compõe o diamante, substância mais dura conhecida do homem é o mesmo que compõe a frágil grafite, o carbono que compõe nossas células é o mesmo que está “dentro” das mais resistentes rochas. O oxigênio que nos dá vida, é o mesmo que mata microorganismos responsáveis pelo desenvolvimento dessa mesma vida orgânica no planeta. Eis a dualidade do mundo  que o homo sapiens-sapiens, parece finalmente aprender, a enxergar dentro de si, a se ver como parte do todo.  Além do mais, se fazemos parte de uma raça única e brilhante, pois somos capazes de nascer analfabetos e ignorantes, através do pensamento que desenvolve novas conexões cerebrais por conta das interações dos neurônios, aprendemos a falar, a abstrair, a raciocinar, a filosofar e desenvolver as maravilhas que conhecemos atualmente. Existe desafio e obstáculo maior que esse? Para muitos pedagogos modernos não!
      Oras, se podemos fazer tudo isso, será que é algo tão complicado se conhecer, reformar nosso íntimo, nossas idéias, conceitos, preconceitos, nossa cosmovisão e construir um novo paradigma que una ao invés de separar, que conquiste e coopere ao invés de explorar? Decerto que não, por isso se faz imediato a necessidade de empreendermos toda a nossa inteligência e todos os nossos esforços em prol disso. Quando isto tudo for plenamente praticado e aceito, uma certeza imediata -- a verdadeira realidade se descortinará perante nosso verdadeiros olhos, os do espírito! E lembrando, o tão famigerado Ponto de Mutação muito bem descrito e teorizado pelo brilhante físico teórico Fritjof Capra, está iminente, a menos de um palmo do nosso nariz, a bem da verdade ele já se iniciou, e como a hora mais escura da noite é a última hora da madrugada que antecede o nascer do esplendoroso Astro Iluminado, o Ponto de Mutação já começa a aparecer no horizonte com toda sua beleza púrpura!