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segunda-feira, 20 de junho de 2011

O Impacto da Modernidade e Globalização na sociedade



    O capitalismo é um sistema excludente. É um sistema que defende interesses privados, por isso não pode defender aos anseios da coletividade. É a sua natureza primitiva. O grande problema é que não o percebemos em sua essência, mas apenas na sua forma fenomênica, que é intrinsecamente ilusória. O capitalismo no discurso é um, na prática é outro - Liberdade? Livre escolha? Concorrência? Democracia? Made-yourself? Desenvolvimento do ser humano? Tudo isso é uma farsa. A nossa “globalização-moderna” é a representação mais perfeita dos paradigmas do ceticismo científico – é a MATRIX  da “unidade-segregada”.
      Somos todos escravos e nem ao menos nos damos conta disso. Seja no mercado de trabalho, nas relações sociais ou até mesmo dentro da própria família, somos reféns de um modelo de exploração, subjugação, onde prepondera uma evolução Darwiniana da lei do mais forte e de uma falsa meritocracia, pois não temos oportunidades iguais e o pior- nosso modelo econômico é fundado sob as teses malthusianas. Vivemos da exclusão, da exploração, da alienação e estranhamento da força do trabalho, tornar-se um ser pensante e intelectualmente ativo é sempre um risco e tratado muitas vezes como nocivamente diferente. Todavia os teóricos do capitalismo vão dizer que ele fundamenta-se na independência do ser, na livre concorrência e na força de trabalho coletivo. O que é uma mentira, porque se assumirem que o capitalismo se mantém pelo poder individual da força de trabalho, reconhecerão que na verdade são as pessoas que detêm o poder e não a Elite Global, a interação Homem-Meio-Tempo, tem um único objetivo – Lucros! De poucos, num processo de fagocitose contínuo onde cada vez mais  aumenta-se a diferença entre ricos e pobres, basta ver o que tem acontecido com a sociedade norte-americana nos últimos 30 anos e a concentração de renda existente naquela sociedade. Os grandes sempre tendem a crescer e os pequenos a serem “devorados” até sua completa extinção.  Não somos e nunca fomos de fato artífices do nosso próprio destino, mesmo que saibamos que temos muitos exemplos de superação individual, todavia, o sistema não permite e nunca permitirá que todos cresçam e se desenvolvam ao mesmo tempo, pois isso significaria sua auto-destruição, seu colapso, pois que vivemos numa sociedade onde a maioria só deseja ter e ter, assim falta para muitos, se vivêssemos num mundo onde todos desejassem dar e dar, nós teríamos em abundância, e isso não é utopia, temos significativos exemplos de modelos econômicos que demonstram matematicamente isso, como o do brilhante professor John Nash ( Nobel de economia em 1990, filme Uma Mente Brilhante – Ridley Scott, Russel Crowe) e seu filho John Nash Jr. No dizer de George Lúkacs, a humanidade caminha a passos largos ou para uma revolução social ou para a auto-destruição, a escolha é nossa. Usando a fala do próprio  Milton Friedman, um dos baluartes do neoliberalismo, em sua participação no documentário The Coporation –“ eu não acredito em democracia, não existe liberdade e democracia. O que é democracia senão grupos disputando poder e brigando pela extinção dos adversários?! Vamos para uma breve viagem histórica.
      No fim da Idade Média o Estado na Figura do Rei passa a centralizar seu poder através da guerra e da conquista de novas Terras, diminuindo a pressão demográfica que assolava a Europa. Através das Cruzadas inicia-se um maior comércio entre ocidente e oriente, dando início a uma expressiva burguesia nascente. Que se alia a nobreza no fortalecimento desse Estado, culminando com as Grandes Navegações. O capitalismo instaura-se de fato através de sua vertente Mercantilista, e no dizer do próprio Marx, a Idade do Meio trouxe em seu próprio seio, dialeticamente, a semente do novo sistema. Com a modernidade, a Europa parte numa busca frenética de exploração e acumulação primitiva de capitais- ouro e prata, complexifica-se o sistema e surge uma nova divisão internacional do trabalho. Passamos em torno 300 anos e teremos a primeira revolução industrial, a independência norte americana e a revolução francesa, que vão romper com o antigo modelo e vão significar a supressão da nobreza e instalação completa do poder do Estado sob a égide capitalista agora, industrial – corporativista – financeira (surgem as bolsas de valores), no dizer de Eric Hobsbawn é a era das revoluções, e o sistema passa a demandar mercados livres e mais consumidores. Não é a toa que a a coroa inglesa passa a perseguir o tráfico e a França napoleônica faz o mesmo. Os EUA forma  a primeira democracia verdadeiramente liberal e emancipancionista da história, numa Carta de Independência que era fiel as teorias de Lockeanas e que fora assinada por 64 franco-maçons, das 65 assinaturas existentes! Passa-se a usar o excedente populacional das cidades para trabalharem nas indústrias. Mais 100 anos e o capitalismo deixa de fato ser mercantilista para tornar-se totalmente industrial-imperialista. Assim aquela burguesia que unira-se ao Estado para chegar ao poder, passa agora a enfrenta-lo economicamente devido a imensa acumulação de capital, e este mesmo Estado começa  a se tornar insuficiente em suas obrigações como previria Locke, e terceiriza a educação, as obras-de infra-estrutura, a saúde, etc. e temos a deflagração direta dessa “guerra” quando em 1881, as mega-corporações entram, com uma proposta na Suprema Corte Estadunidense aproveitando-se da terceira emenda que foi proposta para defesa da população negra recém liberta ( dizia que ninguém poderia perder suas terras sem um devido processo jurídico, pois que o pequeno proprietário não funcionava apenas como uma pessoa, mas como uma empresa) sendo assim, disseram eles, os proprietários dessas corporações não poderiam ser responsabilizados diretamente por quaisquer irregularidades cometidas por suas companhias. Os ícones desse período áureo das corporações podem ser exemplificados com J.P. Morgan, Amschel Rothchild e a Família Rockfeller. A suprema corte aceita a argumentação, a arte-manha e cria-se a partir daí o conceito de pessoa jurídica – as corporações poderiam agora usar e abusar da lei porque poderiam se defender amplamente. Ficou  ruim?! Sim, mas sempre dá pra piorar. Em 1914 sob a presidência de Wodrow Wilson, o golpe de misericórdia da Elite Global - o então Banco Central Americano por uma emenda no congresso perde seu vínculo ao governo e passa a ser “independente”, ou seja, apesar da nomeação do dirigente máximo da entidade ser feita pelo presidente da república, passa a não prestar mais contas ao governo e atende diretamente aos interesses irrestritos de Wall Street – pela primeira vez na história humana um banco de caráter particular detinha toda a riqueza de uma nação, nação esta que estava prestes a virar  a maior potência militar e econômica que a humanidade teve o desprazer de conhecer! E porquê? Como muito bem mostra V.G. Kiernan em seu estupendo livro – Os Estados Unidos e o Novo Imperialismo, desde meados do século XIX que a política externa americana se determina e se pauta no expansionismo e na guerra, sejam republicanos ou democratas, é uma política de expansão, conquista e de segurança nacional. Aliado aos interesses do mercado financeiro, o Governo com campanha política e doações generosas de Wall Street, vão estimular e provocar as duas mais sangrentas guerras vivenciada pelo homo sapiens sapiens. A nível de curiosidade, os NAZI são financiados amplamente pela IBM e Por Sir Prescott Bush, pai de George Walker Bush, o “estabilishment”, inclusive vai eleger Hitler o “Homem do Ano”, sendo capa da revista TIME em 1934. Nessa transição do século XIX para o XX, Inglaterra, França, Alemanha e Itália vão fazer o mesmo, seguir o mesmo paradigma, e o “Lasseiz-faire, lasseiz-passes”, são amplamente empregados pelos citados governos, até a primeira crise estrutural do capitalismo, em outubro de 1929.
     Com o término da segunda grande guerra, o mundo muda - inicia-se a guerra fria, surge Israel(sionista), surge a ONU, e os famigerados Banco Mundial, Banco Asiático, FMI e o BID. Com isso, os países pobres passam a ser literalmente escravizados, tanto politicamente como economicamente, pois são a “única” saída para sua pobreza e lhes é dado “generosamente” homéricos empréstimos, com intuito de lhes determinar seu futura e suas atribuições na divisão internacional do trabalho moderna. Claro que o discurso não era esse, mas sim o de cooperação, inclusão e globalização. Até os anos 70 o capitalismo conhece seu maior ápice de todos os tempo- cambio flutuante, supressão do padrão-ouro, estabelecimento do capital volátil, expansão das economias, o sucesso do Estado de Bem-estar Social na Europa, o desenvolvimento em massa do Ocidente, até a China de Mão Tse Tung se rende a economia de mercado, o homem conquista o espaço sideral, sonha com a ciência fazendo o ser feliz, matam pela segunda vez á Deus (  a primeira foi com o cientificismo do século XVIII). Vem a crise do petróleo e o capitalismo é obrigado a se reinventar – enterra-se de vez o Fordismo e emprega-se amplamente o Toyotismo. Estabelece-se de vez a maior indústria da história do homem – a bélica, que juntamente com o maior lobby do mundo impregna o mercado de ações, e seus expoentes mais expressivos são as guerras do Vietnã e do Afeganistão- nas figuras do secretário de estado americano Henry Kissinger, George Bush( pai- diretor da CIA), e os presidentes Richard Nixon, Jimie Carter, Ronald Reagan e finalizando nas presidência da família Bush e sua famigerada Nova Ordem Mundial, o mundo passa a ser de fato como o conhecemos hoje. Mas o discurso é lindo – é o da independência individual, da potencialização do trabalhador, da educação dos pobres e das fundações das ONG’s. em 1990 no congresso mundial de educação ocorrido em Dakar é fincaiado exclusivamente pelo Banco Mundial, que passa a financiar também a FAO e ONG’s de defesa de meio ambiente. O Banco Mundial passa a financiar pesquisas acadêmicas e a financiar novas teorias pedagógicas e psicológicas, para incrementar na população mundial as idéias de vitória do capitalismo e de desenvolvimento pessoal, dando a falsa impressão de liberdade e felicidade. Claro que não podemos deixar de destacar a surgimento da Escola De Chicago e seu Neoliberalismo, nas figuras-mor de Margareth Tatcher e Helmut Kuhn na Alemanha, e claro, Salinas no México, Menén na Argentina, Collor e FHC no Brasil e outros.a defesa do estado Mínimo e a “famosa Cartilha do FMI”, que destruiu a soberania nacional dos países emergentes, impondo-lhes severas condições e determinando como ser feitos seus investimentos internos. É claro que essa conta tem sido paga até a nossa atualidade, as guerras não diminuíram, pelo contrário, a ONU cada vez mais ganha força de Polícia Mundial, o “estabilishment” mente e engana descaradamente para pretextos de fazer a guerra, como as duas guerras do Iraque e do Afeganistão, o lobby das armas não é apenas mais lobby, junto com o petróleo passaram a integrar oficialmente o governo, como Dick Cheney e Condoleessa Ricey. Políticos de todo o mundo reúnem-se uma vez por ano para deliberarem seja lá o que for, como as reuniões anuais do CFR ( Council Foreign Relations), Bilderberger’s, com membros tais como Barack Obama, os Clinton, os Bush, Tony Blair, Gordon Brown, Gerard Shoereder, etc, passando por cima das próprias constituições nacionais, como a americana, que prevê que qualquer de seus governadores só podem reunir-se no estrangeiro sob determinação do presidente, e o presidente em exercício do mandato não pode compor nenhum quadro político mundial sem autorização da Suprema Corte e da População. A modernidade atual tem gerado além de mais guerras, mais pobrezas, vide o que tem acontecido na maior economia do mundo nos últimos 30 anos, onde a concentração de renda só aumenta e o número de pobres também. O sonho americano??? Tem virado cada vez mais utopia, o homem, como nunca, se torna refém da mais valia e da especialização do mercado, o desemprego é estrutural e conjuntural, a educação não liberta intelectualmente e ser um ser pensante é sempre um risco, o Estado decretou falência e temos visto cada vez mais tentativas de privatizações dos serviços básicos, mesmo na Europa. Temos uma crise social sem precedentes, o aumento da xenofobia nos países ricos?? E a globalização? Bem, esta há muito tempo vem acontecendo, não é invenção do mundo contemporâneo, todavia, se por um lado caem as fronteiras físicas e barreiras comerciais, por outro lado se aumenta o preconceito e como diria Einstein, “ é mais fácil explodir um átomo do que um preconceito”. O mundo hoje, encontra-se sem dúvidas nenhuma, muito mais interligado, é bem menor, mais rápido. Isso é bom? Sem dúvida, a questão é que estamos construindo um Castelo sobre terreno de areia, é um processo de tempo para ruir tudo. Não fomentamos uma base sólida e verdadeiramente justa. Não pode existir justiça social onde ainda há fome, corrupção, crimes hediondos de guerra e isso não é utopia, são modelos econômicos criados por várias mentes ao longo dessas décadas, como o já citado John Nash,  que defende um modelo de verdadeira cooperação e emancipação humana e é mais um a mostrar que o capitalismo da forma que se encontra, entrará em colapso.
       Com o Filme Farenheit- 11 de Setembro, do brilhante Michael Moore, vemos claramente muito do que aqui apresentamos. A Elite Global faz a guerra para fins de controle populacional, para manutenção de determinados povos na pobreza, para acumulação de lucros através da venda de armas e para controle social dentro do próprio país. Hoje sabe-se que o ataque à Pearl Harbor era conhecido pela inteligência naval americana e pelo próprio presidente, mas não foi feito nada, pois os EUA queriam entrar em guerra mas deveriam ter o apoio da população, assim como o Vietnam, nunca houve nenhum porta aviões atacados pelos norte vietnamitas que nem caças possuíam, tinham a sombra do Comunismo ateu e “comedor de criancinhas”, o que feriam frontalmente a ética protestante-capitalista norte americana, fazendo o povo viver sob constante medo, como não há mais guerra fria, criou-se um novo inimigo – o terrorismo. A Burguesia controla as pessoas, engana-se quem pensa ingenuamente que dinheiro é poder -  informação e contra-informação é poder, quem tem a informação não só ganha dinheiro como controla quem tem dinheiro. Esse é o grande papel desempenhado por órgãos como o Mossad, o MI-6 e MI-8, a CIA e a NSA. Nós, povo ignorantes somos controlados e  manipulados de acordo com o interesse de quem está no topo dessa pirâmide. Lembra do que dissemos a respeito que nunca enxergamos a essência capitalista? Os discursos são feitos para nos fazer acreditar no que Eles querem e não naquilo que precisaríamos. Não podemos pensar por nós mesmos pelo simples fato que não temos acesso a tudo, pelo contrário, só acessamos uma pequena parte. Conspiração??? Talvez, mas vejamos o que disse o presidente Kennedy em seu último discurso antes de morrer para o povo americano: “senhoras e senhores a palavra secreto é repugnante em uma sociedade livre, e somos um povo intrínseca e historicamente aversos as sociedades secretas, e a juramentos secretos e atos secretos, dicidimos lá atrás que era demasiadamente arriscado ocultar excessivos e injustificáveis atos...existe um perigo muito grave em anunciar a necessidade de aumentar a segurança que será aproveitada por aqueles que estão ansiosos para aumentar seu significado chegando aos limites da censura e do encobrimento e eu farei de tudo o que estiver ao meu alcance para impedi-los....existe uma conspiração monolítica ao redor do mundo da qual nos opomos, que contam com meios secretos de converter-nos a sua causa...que usam a infiltração ao invés da invasão, da subversão ao invés da eleição, intimidação ao invés da livre escolha, guerrilhas noturnas ao invés de exércitos de dia...sem debate nenhuma administração de nenhum país pode triunfar e nenhuma república sobreviver...”. Para esse trabalho sujo não só no Afeganistão como em outras guerras ocorreu uma verdadeira caça a jovens sem perspectivas nos estados miseráveis para o recrutamento no exército com o discurso falsário de patriotismo e ascensão social, já que muitos deles não possuem condição monetária para freqüentar uma faculdade. A humanização no mundo Moderno vai virando lendária, o ser humano ao seu lado não passa de um mero concorrente  ou inimigo como coloca muito bem o documentário. O conhecimento antes anunciado como libertário, virou inofensivo.  Essa é a grande arma dessa elite mundial , fabrica as melhores parafernalhas tecnológicas para propagar o comodismo mundial. Para que sair da minha casa multi-equipada para lutar por um mundo melhor? Novamente a MATRIX , ou como dizem os antigos O Mundo de Maya , mundo da ilusão. Ainda acredito que o conhecimento é libertário, e que precisamos quebrar esse paradigma, mas precisamos atentar que o conhecimento mecanizou o homem o fez perder a idéia do todo, da coletividade ,  não só de nós seres humanos, mas de todo planeta que hoje é visto como insumo e nada mais que isso.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Estruturas de Dominação e Poder na América Latina Século XIX até meados do século XX

            
   Este ensaio tem por finalidade fazer abordagem devida das principais características do devir histórico da constituição do poder temporal em toda América Latina, com suas devidas singularidades, respeitando as diferenças regionais. Para tanto, faz-se necessário um breve toque no processo de independência desses países e o como as respectivas sociedades  formaram-se e foram constituídas. Já sabemos de ante-mão que a colonização ibérica se deu de uma forma absolutamente exploratória, sendo quase inexistente o processo de urbanização e organização social tão comum nos Estados Unidos por exemplo. Dessa maneira, facilmente compreendemos que, no momento de ruptura colonial com suas respectivas metrópoles, além  de estar inserido em um contexto global, as pessoas que faziam parte da elite de então, que tiveram o poder em suas mãos, eram exatamente aquelas que já se encontravam de forma privilegiada de certa maneira, já possuíam o seu “status” social, e por isso tomaram as rédeas dos acontecimentos, com objetivos que serão plenamente esclarecidos neste texto.
              
             A CONSTITUIÇÃO DAS CLASSES DOMINANTES NA AMÉRICA                   
    Para compreendermos as estruturas de dominação e poder surgidas em toda América latina ao longo do século XIX até meados do século XX, precisamos retornar nossa memória ao processo de colonização e independência das então colônias ibero-americanas. Sabemos que esta colonização proferida por Portugal e Espanha, foi feito de maneira patriarcal, patrimonialista e extremamente burocrática, através de uma centralização quase total de poder, com emissários diretos de El-Rei nos mais altos cargos administrativos da colônia, mesmo quando realizado por empresas privadas por incapacidade financeira da Metrópole. Não podemos descartar e subestimar a importância do capital privado que participou do processo de colonização, entretanto é complicado afirmar quem estava submetido ao poder de quem: se As Coroas Ibéricas atendiam aos interesses do Capitalismo Mercantilista ou se esse Capital atendia aos interesses Régios. Provavelmente um e outro- o fato é que pouco importa isso, pois o fim era o mesmo- subjugação, exploração, extermínio.
    Oras, desde já criam-se estamentos muitíssimos bem determinados - escravos, o poder religioso, a nobreza “pura” e a “mestiça”, ou seja, os descendentes de nobres nascidos nas terras coloniais. Temos uma intensa concentração de terras, tendo em vista o capitalismo empregado por aqui, o modelo agroexportador-extrativista. Com o tempo, o comércio intra-colonial ganha força e surge uma classe relativamente significativa  burguesa, que passa a sofrer grande influência de correntes de pensamentos mais liberais provenientes diretamente da Velha Europa, através de seus filhos que iam estudar por lá, seja em Portugal, Espanha, França ou Inglaterra. Aliado às Revoluções Industriais inglesa e posteriormente francesa, um grande interesse externo por maior mercado consumidor, produtor de matérias-primas e independente politicamente, teremos como conseqüência direta o processo de independência desses países latino-americanos. Mas quem foi que comandou este movimento social? Evidente que foi quem detinha o poder, que nesse caso podemos traduzir por capacidade econômica, assim temos os senhores de terras (latifundiários), alguns comerciantes e os chamados “crioullos”, descendentes diretos da nobreza da então metrópole, que muitas vezes ocupavam cargos importantes administrativamente, principalmente a nível municipal. Assim temos configurado de forma clara e distinta a Nova Elite, que comanda militarmente, politicamente e economicamente as lutas por independência. E o resto?! Ah, esses são apenas resto mesmo, meios para um fim bem particular - a divisão do novo Estado prestes a ser formado, como bens de família, neste caso, famílias, uma espécie de merecida herança aos “eleitos” e “iluminados”.
       Não podemos nos esquecer e merece destaque especial, a miscigenação e heterogeneidade dos povos então em formação e sua pouca ou nenhuma noção de nacionalidade. Até hoje podemos perceber isso no interior de vários países, quando tribos indígenas ou outros pequenos grupos de países como Brasil, Paraguai, El Salvador, Colômbia, entre outros, não conhecem sequer a Bandeira Nacional de seus respectivos países. Como podemos falar em Nação, mesmo atualmente, se esta nação não está incorporada na cultura de milhões de pessoas que ainda possuem línguas, culturas, hábitos diferentes? E há 200 anos atrás? Muito menos. Facilmente controlada pela ignorância política e social, pela pouca identificação com a terra onde vivia e a cultura imposta, escravos vindos de outras partes do Globo, índios e mestiços sequer tinham noção do processo histórico no qual estavam submetidos. Intensa exploração e exacerbado preconceito com os nativos, além claro, do fato de estes, em algumas partes terem sido praticamente extintos. Dessa forma, quando este novo Estado é formado,  quase nenhuma consciência social existe. Coesão? Vã utopia! Princípios, ideologias, rumo político, vontade nacional, auto-determinação?! É de fazer rir. Claro que abre-se facilmente caminho para ascensão e consolidação no poder daqueles que já estavam instalados na burocracia da colônia., nas veias contaminadas do Novo Mundo. Essa gente, como já dissemos, latifundiários e pessoas ricas em suas atividades particulares. Presença do Estado nos lugares mais remotos? Quase nenhuma, até porque surgem ( os Estados) ideologicamente como cópias baratas e mal feitas das experiências norte-americanas e francesa, não havia exército, justiça, saúde, educação ou empregos em escala nacional. Assim o frágil poder central não tem como abarcar toda a gama de necessidades dos povos recém-formados. Impõem-se então a figura do cacique, caudilho ou coronel, que guardadas as devidas singularidades regionais e culturais, representam as mesmíssimas coisas, ou seja, o patrono, patriarca, o benfeitor de determinada região aos pobres e deserdados de promissor destino.

                 A FORMAÇÃO DAS OLIGARQUIAS E CONTROLE SOCIAL
       São estas figuras que intrinsecamente tinham condições de gerar “ordem e paz social”, devidamente entre aspas pelo simples fato de que em quaisquer destes casos, os fins sempre justificaram os meios, logo, necessário sendo, a violência, ameaça e o medo imposto aos subjugados, sempre foram largamente praticados para o controle social. Se ainda tivermos em conta, as disputas regionais com o risco iminente de guerra civil em algumas localidades e as diferenças linguísticas dos dialetos falados nas comunidades, a figura deste chefe local constituiu-se como um simbolismo extremo, de um pai que está a proteger seus filhos de todo o mal e perigo externo, seja de uma calamidade natural, seja da fome, ou de grupos rivais. É de certa forma um "sistema feudal" que usa muito bem o sistema capitalista a seu favor, através da exploração e da geração de lucros através da abstração do trabalho. E esforços não serão poupados para isso, muitos senhores serviam como intermediários de favores políticos, de elo com o governo federal e serviços de assistência básica, era quem financiava e comprava a produção do pequeno produtor, era quem cedia terras para subsistência, ou quem dava abrigo e emprego para quem não os tinha. Evidente, que era de seu interesse manter estas comunidades afastadas entre si, tirando quaisquer chances de independência. O não investimento em educação e a manutenção de baixos salários aos empregados ou “clientes” era prática mais que comum. Mas para configurar esta estrutura de dominação era fundamental a presença física (usando um termo romano) do “DOMINUS”. Era a materialização do poder temporal. Se o caboclo entregava seu coração à Deus dentro da Igreja (aqui podemos chamar claramente de Apostólica Romana já que a presença Protestante era quase insignificante, constituindo apenas algumas comunidades quase todas elas autônomas, num modelo eminentemente americano), fora do templo, sua vida, seu corpo, sua mente pertenciam ao seu senhor. Líder seguido sem questionamento, e não podemos nem classificar como fidelidade cega, pois era a única via possível de “ser enxergada”. O pobre não tinha consciência cívica, e nem poderia ser diferente, não poderia se unir e se auto-representar. É dentro deste contexto histórico-social que temos o fortalecimento das oligarquias, ou seja, a ratificação do poder político de um ou mais grupos defendendo os seus interesses em comum. Mas podemos perguntar-nos – não é paradoxal termos famílias rivais ou grupos que se unem politicamente? A princípio sim, todavia a estratégia era a manutenção deste poder estatal, para que ao controlar o estado, seus interesses econômicos estivessem absolutamente garantidos. Quais interesses? O da exportação. A grande maioria desses senhores, como já foi dito, eram donos de terra e dependiam do mercado externo para lucrarem com a venda de seus produtos, que eram matérias-primas de maneira geral, daí também a grande dependência do capital estrangeiro, e assim alianças eram feitas com empresas e grupos estrangeiros para fortalecer o "status quo" vigente. Mas podemos questionar – com o passar do tempo o Estado não se Fortaleceu? A resposta é sim. Entretanto isso só foi possível com alianças feitas juntamente com o poder local para manutenção da ordem civil e controle social, em troca de representatividade à esses chefes e continuidade de seu poder. Assim, quando ocorre de o Estado se encontrar verdadeiramente forte e poderoso, o ocupante destes maiores cargos políticos é exatamente aquele que outrora controlava seu curral eleitoral, ou como foi chamado aqui no Brasil, tinha seu “voto de Cabresto”. A partir daí entra em cena um novo “personagem” – o voto universal!
       Um olhar mais pueril pode enganosamente afirmar : quanto menos gente votar, mais fácil de se controlar! Não! Era necessário fortalecer, legitimar e ratificar este poder. Isto fora feito através do voto, que deixa de ser censitário e passa a ser naturalmente universal. Raciocinemos - um voto censitário, requer uma comprovação de renda mínima, e que não é pouca, assim, só existia aqueles que votavam entre si, pois eram pertencentes as classes dominantes ou da burguesia ascendente, quem votava era quem já tinha dinheiro, e como vimos, era quem detinha  o poder, maior ou menor. Com o passar do tempo, essa população cresce, aumenta a expectativa de vida e a acumulação de riqueza, logo esse “bolo do poder” passa a ficar mais escasso para o contingente crescente, assim se fez necessário aumentar o número votante de pessoas e ratificar no poder aqueles que realmente detinham-no de fato – contado em números de cabeças, não de gados, mas de pessoas, mesmo que de repente se tivesse um menor poder financeiro, caso seu rebanho eleitoral  superasse o do adversário, você teria a chance de ter o poder em suas mãos, podendo  tentar destruir seu oponente político ao ocupar posição de mando.
      Segue-se daí a mesma troca de favores entre patronos e sua clientela, a mesma dependência, o controle de terras e da agricultura, inclusive em muitos casos ampliando-se, e a questão do status social. Oras, desde os tempos coloniais, nossas sociedades em formação sempre foram reféns de títulos, ou seja, a representatividade do Fulano de tal – assim o Beltrano passar a ser respeitado e reverenciado porque é filho, neto, sobrinho, afilhado, enfim, compadrinhado do Fulano por conta que o Fulano é o dono da cidade, região, estado. Tudo isso serve como semente para num segundo momento o fortalecimento do poder central, quando o Coronel, cacique ou caudilho ascende a posições maiores, não livre de guerras, conchavos, falcatruas eleitorais e alianças espúrias, levado sempre pelo desejo de controle e poder do maior número de pessoas, chega aos cargos elevados, constrói-se um processo reverso do inicial – controle estatal. Pode parecer um pouco confuso à priori essa estrutura, porém não nos esqueçamos a dialética do poder- A contradição. Os grupos tinham interesses em comum, mas não confundamos isso com união, igualdade, harmonia, pelo contrário, a briga e a discórdia sempre fora grande entre a Elite,  o importante era que esse poder permanecesse da maneira que estava - entre eles! Assim as rinhas regionais eram comuns, mas a representatividade de toda uma classe não poderia ser alterada! Acrescente-se a isso o contexto externo, chegamos ao século XX e com ele o fortalecimento do capitalismo industrial de Estados Unidos e Inglaterra, França e Alemanha. Países estes que vão de todas as formas disputar mercados, aqui na América também. Assim, por forças maiores, se faz mais que necessário a união com o capital estrangeiro, o que não é novidade, porque em todos os países da América ibérica isto dá-se inicialmente nas brigas de independência e necessidade de reconhecimento internacional. Mas é nessa fase, que o poder privado vai de fato instalar-se nas novas repúblicas, primeiro de maneira indireta através de bancos, empréstimos e comércios de importação e exportação, e depois de forma direta com o aparecimento físico das multinacionais em várias localidades. Desta maneira as elites passam a depender do financiamento do dinheiro estrangeiro e por outro lado aproveitar-se dele. Vejamos: com mais gente votando, é o senhor de terra que providencia o transporte, a alimentação, vestuário e até mesmo moradia aos eleitores para que eles possam exercer seu papel cívico, já que os locais de votação eram em sua maioria extremamente distantes. Além claro do grande feirão de compra de votos e de corrupção do poder burocrático em benefício próprio. Neste momento o mundo já é sacudido pelas idéias comunistas e em 1917 se tem a primeira experiência vitoriosa de um partido comunista – a Revolução bolchevique no Grande Império Russo Czarista. Para uns, acendem-se as luzes de alertas, para outros mais visionários, uma grande oportunidade de aparecimento e disputas : um controle mais sutil, delicado, menos opressivo mas não menos eficaz, pelo contrário, surge - o controle ideológico, partidário e sindical, que irá inundar os Estados, fazendo Dele, não mais o fim em si mesmo, e sim o meio mais eficaz de controle e arregimentação. O que fazia disso, algo demasiadamente filosófico e abstrato às mentes mais impacientes e ambiciosas capitalistas, e foi aí que lentamente começou a ruir o poder do dinheiro, sem ao menos se dar conta, o que é a derrota mais desgraçada de todas – cair tendo a certeza de que ainda se estar por cima. A semeadura fora feita, a colheita torna-se obrigatória, e pacientemente, estes partidos comunistas iriam aguardar mais de meio século na maioria dos casos para verem os frutos. Agüentando perseguições, guerrilhas, ostracismo, entre outras coisas. estes partidos de esquerda vão aos poucos construindo uma base tão sólida, que nem o Capitalismo é capaz de derrubar. Mas olhe-se bem, não nos referimos à uma crença, pois elas podem e são diversas vezes modificadas, falamos de uma convicção, e o verdadeiro comunista é convicto, tudo suporta, tudo aguenta, tudo sofre, tendo sempre em mente seu objetivo final – que ao contrário do que muitos pensam, não é a extinção completa e absoluta do capitalismo. E sim seu controle, sua total subserviência, não se tem prazer em matar seu maior inimigo de forma rápida e eficaz, não,  e a história humana mostra isso, prazer verdadeiro é - antes de vê-lo padecer, é cair cambaleante, torturado e humilhado. O capitalismo domina pelo dinheiro, o comunismo conquista pela mente e o coração. Qual será o mais forte, o objeto abstrato ou o sentimento pulsante? Ninguém morre pela “causa do dinheiro”, mas muitos morreram por suas utopias!

        OS EUA, OS SINDICATOS E O GOVERNO PATRONAL
  Como já debatemos, com a  virada do século, temos uma conjuntura internacional bastante fervilhante: o capitalismo industrial, o “boom” das cidades, aparecimento em massa de fábricas, a modernidade influenciado todos os ramos da vida das pessoas tais como as artes, a política, a economia. Disso devemos apreender que o Estado já se encontra mais soberano do que nunca, pelo menos do ponto de vista político, e centralizado. Vimos que as disputas regionais entre os chefes dominantes eram intensas, porém a nível nacional oligarquias foram plenamente vitoriosas nos seus projetos de Poder. Inaugura-se uma nova fase – interferência norte-americana e os sindicatos.
     Os EUA já se configuravam como uma grande potência mundial, mas tomaram uma postura de isolamento em relação a Europa. Com isso, passou-se a investir demais nos países americanos, subjugando-os a quase total dependência econômica em alguns casos. O capitalismo industrial-comercial se desloca de vez para cá, e como conseqüência, já cansados de tanto longo tempo de exploração, esses novos trabalhadores das cidades, passam a organizar-se através dos sindicatos. Também ocorre o mesmo no campo, mas de forma efêmera e pouco organizada, são raros os casos de sucesso de grupos campesinos, como no México na Revolução de Zapata, onde pagou-se um preço caríssimo, mais de 1 milhão de mortos! Além de que muito o campo sofreu da influência da cidade – pessoas que haviam emigrado em busca de novas oportunidades, ao misturarem-se nesses movimentos, acabavam tentando levar uma espécie de células para seus lugares de origem. Mas evidente, nem tudo foram flores, ao contrário - esses sindicatos passaram a ser controlados de forma indireta pelos governos, como uma maneira de lhes garantir algumas reivindicações e ao mesmo tempo tê-los sob sua tutela. Vimos um exemplo muito claro disso tudo, aqui no Brasil, principalmente na Era Vargas, onde foi um momento de intensas transformações legislativas-trabalhistas,  via-se o Presidente como se fosse um “PAI” dirigindo os seus filhos. Se na cidade ficava mais difícil o controle através da ameaça, violência e controle de empregos, pois que surge nessa época e de uma maneira mais significativa, a classe média, principalmente comercial e artesanal, no campo a história é outro, e os coroneis ainda mandam e desmandam. Sabemos que a cidade por motivos intrínsecos tem toda uma dinâmica própria, o que facilita o desenvolvimento de pensamentos, correntes filosóficas, o questionamento,  organização social, etc. Em casos mais extremos, a polícia passa a ser usada como instrumento particular de auto-proteção do governante e principalmente como modelador social, evitando revoltas, greves, manifestações. Por tudo isso, a melhor maneira da elite conter o ímpeto do povo é atingir-lhes na raiz, no coração, ou seja, na ideologia, e nenhum meio seria mais eficaz que o controle dos sindicatos, que indicavam trabalhadores aos cargos, nomeavam,  distribuíam emprego, fomentavam esperanças ou descrenças, arregimentavam, cuidavam e principalmente serviam-lhe de ponte para o Estado. Controlando quem controlava os sindicatos, de maneira muito sutil controlava-se a grande massa operária. Nunca é demais lembrar que é nessa época que surge um fenômeno conhecidíssimo em nossas páginas históricas: o Populismo, ou seja, sem cair na armadilha de definir com exatidão este conceito tão complexo, pois que se desrespeitaria a historicidade de cada povo e região, podemos dizer de uma forma bem abrangente que foi um período histórico que marcou a aproximação do Estado com o povo, seja através dos sindicatos e controle ideológico, ou com a mitificação de quem o comanda através de intensa propaganda, muitas vezes abusando do nacionalismo, do sentimento de pertencimento e dos clamores populares.
     E qual o papel desenvolvido pelos norte-americanos? O controle do capital e da informação, as duas únicas vias de independência de um grupo social. Era o dólar norte-americano que estava por detrás dos grandes bancos que financiavam as produções agrícolas e industriais, era dólar americano que estava por trás das grandes companhias exportadoras ou de navegação, era dinheiro americano que financiava grupos políticos, eram produtos americanos que passaram a abundar nos portos da Sulamérica e  América central, era dinheiro americano que passa a financiar as tímidas iniciativas industriais regionais, que muitas vezes inclusive estavam atrelados à multinacionais. Além de que, a propaganda norte-americana passa a ser siginificativa, além de seus produtos, a música, seus profissionais, o então nascente cinema que vira febre a partir dos anos 30.
   Com tudo isso podemos perceber, mesmo que de uma maneira mais superficial, porém lógica que, mudaram-se os cenários ou personagens, mais a tragédia continuava a mesma, ou seja, dominar aqueles que não pertenciam a Classe – que tinham instrução, poder, dinheiro, terras, nomes! Os anos passaram, as formas se transformaram, deixaram de ser tão diretas e passaram a ser indiretas, sutis, todavia não menos cruel, pois que nunca permitiu de fato uma ascensão social, naquilo que nos Estados Unidos se conhece como “made yourself”, nunca tolerou-se a diferença,  a contestação ou a organização. Concentrou terras, riquezas, fez do analfabetismo uma prática comum, criou a cultura do jeitinho, dos favores, minou as chances de civilidade para uma nação justa e fraterna e até hoje pagamos o preço de tantas aberrações, em um século construiu-se uma cultura que apenas a história será capaz de mostrar quanto tempo precisará para destruirmos essas instituições corruptas e ineficazes que ainda embrutecem o povo e o humilham, e são obstáculo não só ao progresso, mas ao desenvolvimento de maneira igualitária e sustentável.

A QUARTA REVOLUÇÃO

 Ao longo dos últimos 260 anos, a humanidade se transformou socialmente, economicamente, politicamente e cientificamente, de uma maneira que provavelmente desde o surgimento do período Neolítico nunca antes tenha acontecido. Estamos falando das grandes revoluções conjunturais e estruturais. Primeiro, no século XVIII, a partir de 1750, com a Primeira Revolução Industrial, depois no final do século XIX, a segunda revolução industrial-tecnológica, com a consolidação do capitalismo industrial, o aumento exacerbado das fábricas, a internacionalização das empresas, etc. Mais precisamente desde o início dos anos 90 do século XX, vimos surgir a terceira revolução tecnológica e a mais significativa de todas. Significativa, pois que se as outras duas foram conseqüências de uma mudança nos paradigmas que sustentavam a sociedade moderna, esta terceira ao contrário, foi quem gerou e está gerando essa mudança paradigmática. Ou seja, com o aparecimento do capitalismo, do renascimento, das revoluções religiosas na Europa, o homem passa a desenvolver o que hoje conhecemos como ciência, se põe como centro do universo, amplia sua cosmovisão, ou visão de Universo. Essa profunda mudança de paradigma, filosófico-religioso, culminou com o aparecimento da burguesia, do desenvolvimento das diversas filosofias, das ciências humanas e exatas, de uma reestruturação social quase completa entre outras coisas, o que gerou as revoluções tecno-científicas. Deus perdeu espaço, passou a ter residência quase exclusivamente dentro dos templos religiosos. A busca humana se direcionou ao poder temporal, material, às suas necessidades primevas, ao tátil. Esta terceira revolução à que me refiro, logicamente é a revolução das tecnologias de informação, o computador, o celular, a internet, as redes sociais, a informatização quase que completa do planeta Terra e a conexão quase total de todos. Tudo isso fez e faz uma transformação sem precedentes na organização e nas relações sociais. O mundo torna-se cada vez “menor” e ligado, acabam-se as fronteiras nacionais e com elas as de outros tipos, o homem conhece cada vez mais os de sua espécie, fala línguas diferentes, conhece culturas, gostos, comidas, danças, vestimentas diversas, seu psiquismo se torna refém de uma grande avalanche, seu mundo interior se encontra no meio de um turbilhão, enfim, o homem reinventa-se.
      As duas primeiras revoluções se deram de maneira bem mais gradual que esta última, além de atingirem parte por parte de toda a sociedade, seguiram uma lógica perfeitamente cognoscível. Essa não, nasce grande, e como disse, as duas primeiras são conseqüências de mudanças na cosmovisão da sociedade que resultou em conseqüências no modo de gerar riquezas e do ser social. Já na Terceira Revolução, o que percebemos é que ela parece não ter pai ou mãe, de ter uma ideologia por trás, muito menos um paradigma. No máximo pode ser a conseqüência de uma grande confluência de pensamentos e visões de mundo, provavelmente muito mais em decorrência de um surto de desenvolvimento e uma busca incessante pelo controle do meio e do Espaço, todavia  está gerando um novo paradigma científico, psicológico e social. Se a ciência convencional pensava estar atingindo seu ápice, descobre agora que apenas começa penetrar um caminho tão profundo quanto a ignorância humana, tão vasto como o próprio Universo, que aliás, ainda não entramos num consenso se ele é infinito ou finito, se está em expansão ou retração, assim como a filosofia da ciência não pode afirmar ainda se o conhecimento humano tem ou não seu limite. E isto é a primeira vez que ocorre com o homo sapiens, acho até que é mais revolucionário que a invenção da fala, da escrita, da roda ou do fogo, porém cabe e está aberto novas discussões sobre esse aspecto.
       Com a revolução da informática e da comunicação, o ser humano passa a ser onipresente, onisciente, ser causa de quase todos os efeitos, pelo menos do ponto vista social, é como se ele de fato assumisse a posição que já foi do Creador...a de Criar! Criar coisas, criar quase tudo. E isso tem gerado mudanças demasiadamente significativas, levando a uma ruptura do pensar humano, levantando dúvidas, perguntas que jamais foram perguntadas, levando à reflexões e abstrações que há poucos anos seriam imagináveis, inalcansáveis ao pensamento humano. Mais que isso, tem mexido com gerações -  todas as anteriores que ainda existem, as que estão surgindo e as que surgirão, mas tudo isso numa velocidade e numa capacidade de impactar sem igual, talvez por isso, sejam as mais radicais revoluções existentes na história da raça homo-sapiens. Será que ao menos temos uma vaga ideia de como nosso modo de vida se tornou dependente de tudo isso?! Será que ainda lembramos de como era antes de tudo, do celular do computador ou da internet?  Será ainda concebível a política, a economia, as relações sociais sem isso? Estamos preparados para lidar com tamanha transformação? Estar no Brasil e falar com qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo de forma imediata, namorar, conversar, discutir, interagir através de orkut’s, blogs, facebook’s, e-mail’s, sítios, etc. A velocidade, a quantidade e a qualidade de informações é algo estupendo, tudo isso gera conseqüências até mesmo imprevisíveis. A questão é; a nossa vida melhorou? O homem está mais feliz atualmente? O homem que conhece bem mais do seu semelhante já desvendou os maiores mistérios e segredos de si, seja no corpo ou na mente? O ser humano aprendeu tudo o que tinha para aprender com experiências dolorosas do passado? Um olhar menos atento e mais superficial logo dirá -  bobagem a resposta é fácil: claro que SIM, temos tantas coisas que facilitam a nossa existência que não tínhamos antes, tudo avançou, da sociologia à medicina e por aí vai!
     Pois vejamos, a OMS insiste afirmar ano após ano que a doença que mais atinge ao ser contemporâneo é a depressão, os índices de suicídio, de dependentes de remédios e drogas de todas as espécies só aumentam, ainda temos milhões de pessoas no mundo morrendo à fome, que não tem acesso as mínimas condições de vida, o homem ainda está em guerra por todas as partes do mundo, ainda vive de forma tribal, sectarista e auto-destrutiva, e mais que nunca está escravizado ao dinheiro. Não vemos mais cultura nas pessoas, elas não lêem mais que antigamente, e se a expectativa de vida aumentou significativamente, nunca antes foram vistas tantas doenças e epidemias. Se antes o homem era escravo de outro homem, ( não que ainda não exista escravidão), atualmente ele é totalmente escravo de um modelo, de uma idéia, ideologia, de um sistema, que possui vertente econômica, social e política. Muitos festejam e se orgulham da vitoria que chamam de total e absoluta do Capitalismo. A solidão se instalou nos corações humanos, o ser humano tão onipresente e onisciente, talvez nunca antes tenha distado tanto de si mesmo e de seus iguais. A Raça se encontra em crise, e dá mostras claras de se encontrar em grande confusão e desequilíbrio, seja psicológico ou biológico, está aparentemente perdido, e as poucas lideranças que tem aparecido para indicar um novo caminho não têm sido suficientes. O SER está Só! Busca muitas vezes, de maneira desesperada e imatura à Deus, numa tentativa quase sadomasoquista de encontrar a si mesmo e retomar o caminho da felicidade, pois que tem perdido esperança e mostra estar decepcionado com as ciências, que tanto prometeram extirpar o sofrimento da Terra e não o conseguiram. Quando não é Deus que procuram, buscam satisfação imediata nos vícios e prazeres estapafúrdios que somente realçam todas essas mazelam a que nos referimos. O que está faltando? Qual a solução? Existe um modelo político-econômico auto-suficiente e perfeito capaz de gerar felicidade total ao homem? Todas essas perguntas e todas outras que vão à mesma direção tem por resposta uma única: A quarta revolução, ou Reforma Íntima!
        O homem atual se eleva a cima de quaisquer perspectivas antes imaginadas, porém sobre lacunas vulneráveis em terrenos de areia. Falta-lhe o básico e o óbvio, o autoconhecimento. É como se estivesse fazendo uma imensa curva para chegar a um ponto que sempre encontrou-se logo à sua frente, mas sua visão turva não lhe permitira enxergar antes. Desprendeu um grande esforço e dispensou doses cavalares de energia para começar a compreender a sua verdadeira natureza, objetivo e capacidade. Oras, autoconhecimento esse, que já é bem conhecido de nossos antigos, seja na Magna Grécia de Sócrates ou no Egito de Akhenaton, na Pérsia de Zoroastro ou na Índia dos Vedas,  na China de Lao-Tsé e Confúcio ou na Roma de Sêneca e os discípulos de Zenão,  que era grego por sinal. O homem na verdade não descobre nada, apenas relembra e se volta ao seu passado, que tantas vezes lhe parece um grande cofre fechado hermeticamente, mergulha no ocultismo-esoterismo de tradições bem antigas, ou busca dar uma nova interpretação ao judaísmo-cristianismo e islamismo, começa a  ver que nada poderia ou deveria ser desenvolvido e construído sem um completo auto-domínio. É esta revolução que está prestes a acontecer de fato, que falta, e não falta apenas para completar um lindo quebra-cabeça incompleto, mas porque é esta a  pedra angular que lhe facultará o gozo completo de suas faculdades e potencialidades, o que fatalmente resultará em felicidade e paz social. O ser passando a conhecer-se profundamente, passa a melhor ver sua realidade e seu mundo com tudo aquilo que lhe pertence. Desaparecem-se os sectarismos infantis, deixa-se de lado a busca incessante e ordinária por poder, pois que se compreende que numa sociedade que todos só querem ter e ter, falta para muita gente, mas numa sociedade em que todos preocupassem-se em dar e dar, todos receberiam em abundância, pois o Planeta Terra é abundante, o UNIVERSO  é abundante. Realmente aprendería-se que temos a mesmo origem e somos iguais, nosso DNA dá mostras claras disso.
       Mas esta mudança se torna cada vez mais perceptível e chama atenção de um número crescente de pessoas. E podemos perceber este movimento em quase todas as facetas sociais - na ciência a física quântica vem ensinar a pequenez do homem perante as leis do universo e a relatividade das mesmas dependendo do que é analisado, ao demonstrar que a matéria “não existe” e que é muito mais um conceito, uma idéia, já que é formada por átomos e partículas menores como quarks, neutrinos entre outros, e tudo isso  é energia, fazendo  modificar radicalmente nossas crenças e nosso papel no universo, na verdade derruba por completo qualquer desejo de se afirmar o que de fato é o universo, pelo menos por agora. A parte esotérica de todas as religiões tem aparecido e se tornado bem mais acessível e popular, trazendo novos paradigmas à religiosidade humana. A medicina tem andado a passos crescentes em direção ao Holismo, os movimentos sociais humanistas tem ganhado força, a luta contra o autoritarismo e corporativismo tem se intensificado, já não aceitamos como raça humana de maneira racional, os assassinatos, e mesmo naquelas sociedades que defendem ainda a pena de morte, é após um processo jurídico, que falho ou não, cada vez menos está sob a batuta pessoal de alguém. Nossa sociedade já rejeita sacrifícios humanos, a escravidão, a extorsão e a exploração do fraco pelo forte, mesmo que essas práticas tenham progredidos à formas mais sutis, já não se aceita de bom grado tudo isso! Sinal de que o homem se encontra mais consciente. Muitos ao lerem tudo isso debocharão, discordarão e até mesmo se revoltarão contra essas palavras, argumentando inclusive que estou caindo em contradição com o que foi afirmado linhas a cima e com as evidências que temos diariamente em nossos noticiários e cotidiano. Entretanto precisamos compreender o seguinte: como afirmava e demonstrou perfeitamente Marx, todo modelo traz em si, dialeticamente falando, o gérmen da sua antítese, logo com tanta destruição e desgraça, de forma simultânea inclusive, vemos nascer um movimento em direção oposta. Aí temos as ONG’s de defesa social, a busca pelos direitos humanos, movimentos de jovens inclusive de filantropia e assistência de diferentes maneiras, uma busca incessante por igualdade social e justiça. É a dualidade em plena ação. E como nos disse o nobre pensador, da tese e sua antítese, teremos uma síntese, que é o que ainda está para acontecer, ou seja, nem tanto ao céu, nem tanto ao mar, na síntese encontraremos características tanto da tese como de sua antítese, todavia não é nem uma coisa nem outra. Se temos por um lado fanatismo religioso, temos do outro materialismo intenso, a síntese de tudo isso será uma religiosidade nunca antes experenciada pelo homem, uma ligação direta com a divindade, sem precisar de intermediários, seja de pessoas ou instituições, mas também não oprimiremos as ciências, que terão seus espaços, mas como algo concomitante na vida do ser, tanto a religião e a ciência deixarão de ser um fim intrínseco e passarão a ser meios de algo, à felicidade e o desenvolvimento humano. Se tivemos uma briga ferrenha entre capitalismo e socialismo e aparentemente o capitalismo venceu, temos um quase esgotamento da sociedade, virou um verdadeiro barril de pólvora prestes a explodir e gerar caos. Teremos muito em breve o nascimento de um modelo novo seja qual for o nome dado, sem grandes revoluções ou teóricos,  de forma natural, até mesmo porque será muito mais uma conseqüência de mudança de pensamento e paradigma do que uma ruptura completo com o passado como pretendia os antigos filósofos comunistas. Se tínhamos e ainda temos a exploração do homem pelo homem, teremos a partir de então a cooperação, a sustentabilidade,  projetos de desenvolvimento a longo prazo. Se tínhamos antigamente o isolamento de culturas, o preconceito ferrenho ao diferente, e  hoje estamos angustiados e aflitos com a globalização e a universalização da cultura em detrimento das particularidades regionais, teremos em breve, a fundição do todo com o particular, com a manutenção das singularidades e o desenvolvimento das sínteses em todo mundo. A Terra não será nunca um Planeta absolutamente homogêneo, todavia será bem mais coeso, harmônico e equilibrado.
       Tudo isso só será possível através desta quarta revolução, que se é verdade que ela é a única de cunho totalmente filosófico-abstrato, é também a única capaz de ensinar verdadeiramente o significado de paz social. É no autoconhecimento que o homem compreenderá melhor o sentido de termos já tão utilizados hoje em dia, como pró-atividade, alteridade, respeito às diferenças, crescimento nas desigualdades, complementaridade e simultaneidade. Como já fora ensinado no Egito Antigo nas escolas de mistérios dos sacerdotes, o que está em cima é igual ao que está em baixo, ou como diria Einstein, o micro-cosmo é a repetição do macro-cosmo, assim, sendo o homem biologicamente e fisicamente inclusive, é uma imitação do universo. Afinal tudo é energia, é composição distinta dos mesmos átomos e como nos ensinou Lavoisier, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma, o carbono que compõe o diamante, substância mais dura conhecida do homem é o mesmo que compõe a frágil grafite, o carbono que compõe nossas células é o mesmo que está “dentro” das mais resistentes rochas. O oxigênio que nos dá vida, é o mesmo que mata microorganismos responsáveis pelo desenvolvimento dessa mesma vida orgânica no planeta. Eis a dualidade do mundo  que o homo sapiens-sapiens, parece finalmente aprender, a enxergar dentro de si, a se ver como parte do todo.  Além do mais, se fazemos parte de uma raça única e brilhante, pois somos capazes de nascer analfabetos e ignorantes, através do pensamento que desenvolve novas conexões cerebrais por conta das interações dos neurônios, aprendemos a falar, a abstrair, a raciocinar, a filosofar e desenvolver as maravilhas que conhecemos atualmente. Existe desafio e obstáculo maior que esse? Para muitos pedagogos modernos não!
      Oras, se podemos fazer tudo isso, será que é algo tão complicado se conhecer, reformar nosso íntimo, nossas idéias, conceitos, preconceitos, nossa cosmovisão e construir um novo paradigma que una ao invés de separar, que conquiste e coopere ao invés de explorar? Decerto que não, por isso se faz imediato a necessidade de empreendermos toda a nossa inteligência e todos os nossos esforços em prol disso. Quando isto tudo for plenamente praticado e aceito, uma certeza imediata -- a verdadeira realidade se descortinará perante nosso verdadeiros olhos, os do espírito! E lembrando, o tão famigerado Ponto de Mutação muito bem descrito e teorizado pelo brilhante físico teórico Fritjof Capra, está iminente, a menos de um palmo do nosso nariz, a bem da verdade ele já se iniciou, e como a hora mais escura da noite é a última hora da madrugada que antecede o nascer do esplendoroso Astro Iluminado, o Ponto de Mutação já começa a aparecer no horizonte com toda sua beleza púrpura!

sábado, 30 de outubro de 2010

31 de Outubro - ?

          

     A democracia está consolidada...votamos em quem "eles" mandam e não em quem deveríamos ou precisaríamos, mais que nunca o Capital é o maior lobista do mundo. 300 anos de exploração não foram suficientes,nem para a gente prender, muito menos para o mais sórdido desejo Deles se satisfazer! É sabido que nosso ouro promoveu a industrialização inglesa... e a prata de Potosí?! lá talvez tenha havido o maior genocídio da América Latina. Caudilhos, militares, banqueiros e fazendeiros, eis os nossos verdadeiros presidentes. 

     Nossa brasilidade se revolta ao sermos tratados como quintal, seja pelos EUA ou pela Europa, quanta pernoste de nossa parte! Mas somos bastante indiferentes quando usamos e humilhamos nossos irmãos, simplesmente porque vota no partido de oposição, é de cor diferente ou é um pobre desgraçado esquecido de Deus que teve a infame sorte de nascer numa região diferente da nossa! parabéns a todos nós, o requinte de crueldade que servimos como prato aos nossos adversários é de gerar indiferença em qualquer um. Mas no meu dicionário, deveria ser INDIGNAÇÃO, não aquela dos militantes sem causa, perdidos no tempo atrás de vãs utopias que jamais acontecerão, mas a indignação que sabe transformar a dor em força, a humilhação em coragem e o desespero em disciplina. Porque votamos? Para quem votamos? Onde està a nossa "DEMOS CRATOS"? (democracia, ou a força do povo) Ah, onde esqueceram a "RES PUBLICA"?!( coisa pública)......mas isso é apenas um estorvo.
        . 
neste dia 31, votar é mero detalhe, pois que o destino já foi traçado, pouco importa o resultado, quem está atrás da cortina já nos impôs o fardo! Comemoram e são tão covardes que se esconder é sua maior arma! Somos um produto no qual já fomos comprados, conscientes ou inconscientemente estamos talhados. Nosso votoé nossa maior mercadoria. "Os eleitos" sabem, nunca deveremos ser educados, no máximo talvez instruídos, porque gado bom é gado criado. Assim cria e recria-se o mundo de MAYA, ou a Matrix como queiram e claro, tudo isso faz parte da KALIUGA! Amigos, neste dia 31, como somos obrigados vamos fazer o que nos resta, mostrar à ELES para o que fomos criados, temos donos e somos manipulados e humildemente aceitemos, eles nos riem, não mais pelas costas porque não é necessário, com todo respeito, SOMOS TODOS OTÁRIOS!
     

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

A TOCA DO COELHO

                                       

    Figura de linguagem que é usada nos filmes Quem Somos Nós e Quem Somos nós- Uma Nova Evolução, que representa o buraco do conhecimento, ou seja o longo caminho escuro e desconhecido que cada qual de nós deveríamos percorrer para o auto-conhecimento e o conhecimento do UNIVERSO ( universo- palavra constituída por dois radicais, UNO  e VERTERE, uno siginifica um, único, vertere, verbo proveniente do latim eu significa vir para dentro, voltar em si mesmo, ou seja, universo; voltar em si um, único). Assim vos convido a inciarmos juntos nossa prazerosa viagem, sabedores que desconhecemos o ponto ou os pontos de chegada, mas na certeza que o prazer está mesmo é na jornada, e não no fim, já que nos parece que o fim não existe! E aí, você vem mergulhar comigo?! Boa sorte, e obrigado.    

A QUESTÃO DA DUALIDADE:

        


      Vivemos num mundo tridimensional, mas já sabemos que o universo possui bem mais dimensões, ou seja, possui “diferentes realidades”. De acordo com a  Teoria das Super-cordas, o Universo necessita de pelo menos 11 para ser auto-sustentável. Assim, podemos pela lógica deduzir que só conseguimos apreender uma faceta do que seria a “REAL REALIDADE”!!! Em breve entraremos com maiores detalhes sobre a física quântica e a teoria das cordas em especial! Mas voltando, a primeira consequência direto do nosso mundo tridimensional, é a questão da realidade dual na qual estamos inseridos. Sempre falamos e classificamos as coisas de acordo com o Bem ou Mal, o Certo ou Errado, A Verdade ou o Erro, Claro ou Escuro e até mesmo o Preto ou o Branco. E isto não está errado, nem ultrapassado, mas de fato, não satisfaz mais nossos anseios e nossos mais profundos questionamentos filosóficos, ou seja, podemos entender como uma percepção bastante limitada e incompleta da realidade. A partir de agora trabalharemos com conceitos de complementaridade, real/ilusório e de simetria universal. Através deles ampliaremos e aprofundaremos nossa percepção do mundo e de todas as coisas existentes!
       Temos a mania, perfeitamente compreensível de julgarmos e analisarmos o nosso meio através de um paradigma digamos, cartesiano/newtoniano. A primeira coisa que devemos lembrar, é que todo nossa capacidade de apreender a realidade provém dos nossos sentidos, os 5 sentidos, e não há nada mais limitado que isso. Desaprendemos ou nos esquecemos que a mais eficaz forma de entendermos e sintonizarmos com o universo é através da intuição, ou seja, aquilo que o intelecto não é capaz de perceber, pois nossa inteligência está diretamente envolvida com nossa capacidade cerebral. E nosso cérebro é matéria, e toda matéria tridimensional é por definição finita, se acaba, para se transformar é verdade, mas tem um fim, e se o cérebro não é capaz de processar determinadas informações que venham por outras vias que não sejam dos nossos sentidos, consequentemente nossa inteligência fica muito prejudicada, mas convêm lembrar que a inteligência é atributo do espírito e não do corpo como defendem as teses biomecânicas materialistas.
        O caráter dual da nossa realidade tudo tem haver com  que foi dito, pois provém do fato de exatamente de nossa inteligência ter o freio dos nossos sentidos, assim não somos capazes de perceber o todo, e nossa visão é turva, portanto o processo de apreensão e compreensão se dá de maneira fragmentada, daí percebermos o bem/mal, o certo/errado, etc de forma desconexa. Talvez esteja um tanto confusa a cabeça do meu caro amigo leitor neste momento, serei mais claro. Como tudo que existe no universo, a dualidade tem uma causa primeira, pois que ela é o efeito de algo, e esta causa é DEUS, ou a divindade, ou criador, ou o nome que queiramos LHE dar. Assim sendo toda oposição, na verdade, é a face de uma mesma coisa, os lados de uma mesma moeda, só que temos dificuldade em isto perceber. Porque no início fiz questão de falar do nosso mundo tridimensional?! Porque uma coisa puxa a outra, no estado da matéria, possuímos o livre-arbítrio ( título de um próximo texto), assim fatalmente na tridimensionalidade mergulhamos de cabeça na dualidade, para experimentarmos “ o certo, o errado, o bem, o mal, alto, o baixo, a verdade, o erro e por aí vai. O que precisamos compreender é que todas essas coisas como todo os opostos, são complementares, eles não existem sem o outro, não são coisas distintas, são em essência a mesma coisa, são a coisa em si sendo que podem se manifestar das duas formas. Originalmente elas não são nem uma coisa nem outra, APENAS SÃO! Difícil né meu amigo raciocinar e entender isso??!!! Mas não se preocupe, caso vc esteja se sentindo meio doido, tenha a convicção de que não é o único. Para facilitar, exemplos: o dinheiro é bom ou ruim? Nem uma coisa nem outra, ele é apenas dinheiro, a forma como seu dono o usa é que vai gerar coisas boas ou ruins. O ódio é algo bom ou ruim? Ele não é nada, pois ele é ilusão, não existe, o ódio nada mais é que a ausência do amor, mas o entendemos como o oposto, mas o amor não existiria se não fosse o ódio, pois sem experimentá-lo, nunca conseguiríamos sentir o que é amor. Assim já conseguimos entender nosso primeiro conceito, o da complementaridade, ou seja, a dualidade é complementar em si mesma, os opostos são faces diferentes de uma mesma causa, se manifestam de forma contrária para que possamos experimentá-las, primeiramente diferenciá-las, para depois compreendermos o todo. Tudo que consideramos negativo no mundo, se olharmos exatamente de forma oposta veremos que não é ruim, e sim necessário para a construção de uma consciência divina dentro de nós, o que podemos chamar de COSMOVISÃO, OU VISÃO DO TODO, guardemos por favor esta palavra.
        O nosso segundo conceito é o do REAL/ILUSÓRIO. Não é complicado, sempre que não tivermos a capacidade de entendermos o todo,  na fase da experiência da matéria, presos nas nossas visões de um ser que vive na terceira dimensão e ainda não termos plenamente desenvolvidos a nossa cosmovisão, estaremos dentro do campo de ação quântico da ilusão. Por exemplo, a matéria em  si é ilusório, o estado de luz é que é real, e todas as coisas que classificamos como negativas, mas que ainda fazem parte da nossa vida são ilusões, tais como o erro, o que é ruim, o mal, o preto, etc. sempre  que precisarmos da dor para alcançar a alegria, da tristeza para sabermos o que é a felicidade e por aí vai, estaremos dentro da ilusão, logo nossa realidade como um todo, toda ela será ilusória, ou seja, de fato ela não existe, mas se faz presente na nossa vida, porque a percebemos através dos nossos sentidos, e os nossos sentidos físicos são uma ilusão do nosso EGO,  a intuição é a verdade do nosso EU, ou seja, nosso centro divino. Assim, facilmente percebemos que ao questionarmos o que é nossa realidade não é apenas uma questão pueril, mas talvez a mais pertinente da nossa ILUSÓRIA vida e experiência, mais importante do que questionar o que é DEUS, pelo simples fato de ser IMPOSSÍVEL  entender Deus, se não sabemos nem o que de fato é real à nossa volta, e como compreendermos a realidade. Porque isso? Simples, DEUS É A REALIDADE POR EXCELÊNCIA, é a causa concreta de tudo, é quem construiu e determinou o real, fora dele, tudo é ilusório, é a concentração da nossa mente no EGO e o afastamento do Eu! Todavia, se tudo vem de deus, nada pode ser ruim, pois que uma causa perfeita não pode gerar efeitos imperfeitos,  assim vai por água a baixo nossos conceitos de mal ou bem, certo ou errado, tudo vem da Fonte Criadora, assim, quando vemos por exemplo que algo é “ruim”, é a nossa visão que está turva, a maldade só existe no plano de existência da mente humana, é consequência da ilusão de realidade ou incapacidade de permanecer sintonizado com a manifestação de Deus que é o Universo em si em todas as suas dimensões, ou seja, a maldade é a escolha da nossa inteligência atravès da Lei Suprema do Livre-Arbítrio em busca do Poder, porquê? Pela falta de sensação de plenitude, pois que descolamos literalmente da realidade pois usamos somente a inteligência, deixamos de usar a Nossa Intuição, ligação direta com  Essência, mergulhamos de fato na dualidade pois criamos termos para denominar os conceitos das coisas abstratas que já dissemos:
Preto- ausência de reflexão de luz
Ódio- ausência do amor
Erro- falta da verdade
Mal-ausência do bem
Ruim-aquilo que não está bom
Escuro- ausência de luz
Medo- ausência de coragem....
      Podemos agora terminar de forma simples com o conceito da simetria universal. Analisemos o nosso corpo biológico, ele é simétrico, tem dois lado iguais e correspondentes, assim é nossa realidade, tudo no universo vai e volta, é um constante movimento de ir e vir, eternamente, o que tem para um lado tem para o outro, o que está em baixo é igual ao que está em cima ( Hermes Trimegisto), todas as dimensões são correspondentes, imanentes umas as outras e interpenetradas de forma equilibrada. A simetria é o próprio conceito de equilíbrio, de reciprocidade, é o caminho do meio que se refere o Budismo. Amigos espero ter me feito entender da melhor maneira possível, quaisquer dúvidas, perguntem!

Abraços fraternos, PAZ E LUZ
ps: link para melhor entendimento sobre as supercordas: 


http://pt.wikipedia.org/wiki/Teoria_das_cordas

A QUESTÃO DO PASSADO/FUTURO:

      
                      Já que compreendemos melhor como se delineia a realidade e algumas de suas principais características, podemos entrar um pouco mais na Toca do Coelho?!
      Pois bem, já que vc aceitou o convite e me honra com sua companhia, vamos lá! Passado/futuro não existem e a ETERNIDADE não é a soma de todos os tempos! Albert einstein, já mostrava que a dimensão espaço tempo não é PLANA e sim CURVA, por isso mesmo, seria possível voltar no passado ou ir para o futuro, para isso seria necessário viajar na velocidade da luz (aprox. 300mil km/s) criando assim uma fenda no tempo e voltar ou ir a um determinado ponto. Se a dimensão espaço/tempo é curva, significa que ela pode ser “dobrada” de forma que pontos dos lados opostos se interpenetrem, como por exemplo uma folha de papel, se dobrarmos, as pontas irão se unir. Seria isso a viagem no tempo. Deste modo, podemos facilmente perceber que o que na verdade existe é somente o Presente, ele é quem compõe de fato a realidade, seja ela física ou espiritual, em quaisquer das dimensões, não somente na terceira. Se podemos viajar no tempo, significa dizer que o passado continua ocorrendo, e o futuro, ao contrário do que pensamos, também já existe. Todavia, nosso corpo e nossa mente só tem acesso ao presente, por isso temos a sensação de real, aquilo que vivemos neste exato momento. Caro leitor, mais uma vez voltaremos a questão dos 5 sentidos físicos que nos “enganam”! A Sucessividade é ilusória, ela não existe, a não ser no arcabouço da nossa mente, para que consigamos organizar os fatos, a Simultaneidade é que é real. Tudo no universo é simultâneo, tudo está sempre ocorrendo, daí temos a capacidade do profeta “ver o futuro”, pois que naquele momento de “revelação” o que ocorre e podemos dizer de maneira simples para sermos entendido, é que ele entra em “estado de transe” e sua capacidade mental se amplia digamos milhares de vezes e passa a transcender, a não pertencer mais, mesmo que momentaneamente, a dimensão espaço-tempo. Ou seja, naquele instante ele assiste aos eventos de forma real, como se estivéssemos vendo TV, tem todas as sensações e impressões, ela “cola” na realidade através da intuição, que muitos imaginam como um atributo vago e subjetivo, e não é! É assim quando ainda não foi desenvolvida, quando está em sua fase inicial, qualquer esotérico sabe desde de cedo que sua tarefa é encontrar o seu EU, porque lá “reside” Deus, e o faz através da meditação, introspecção para despertar de fato sua Mente, ou seja, fazer-se UNO com universo, e o faz através da intuição, e através dela passa de fato neste momento a fazer parte do TODO, fica imantado na consciência cósmica.
       Lembrando que a sucessividade é ilusão do EGO, a simultaneidade é a verdade do puro espírito, ou o EU. Já existem experiências mostrando que o nosso cérebro é capaz sim, de epistemologicamente “atingir” o futuro, em outra postagem relatarei esta experiência. Amigos, tenhamos em mente que não é possível advinhar o futuro, nós podemos vivenciá-lo, e isso não é metáfora, o que de fato existe na nossa realidade é o seguinte: nosso mundo exterior é a representação da nossa mente, conscientes ou inconsciente também somos construtores da matéria, por isso os místicos, esotéricos trabalham com o conceito de ascensão espiritual, ou seja, a capacidade de se tornar CO-CONSTRUTORES DO UNIVERSO junto com o criador, ou seja fazê-lo de forma consciente, conhecendo e usando todo nosso potencial angélico. Nossa realidade é composta de “diversos fragmentos de realidade” - as infinitas possibilidade do “VIR-A-SER”,  que a física quântica tanto nos fala, assim é nossa mente que literalmente escolhe uma dessas possibilidades e nos permite intelectualmente percebê-la. Todos somos observadores, e a LUZ, estado essencial da matéria, com o seu caráter duplo de ora onda, ora partícula reage à “nossa observação”. Não temos ainda como saber ou determinar em que momentos ou circunstâncias ela agirá de uma forma ou outra. Tudo depende do observador, que somos nós, todos os seres viventes, e claro, da Mente Universal, ou Observador Supremo, que é Deus.
       Portanto, notamos que realmente passado/futuro tem muito mais haver com criações e experiências/escolhas da nossa mente do que com eventos que se seguem. Só podemos conceber Os Tempos, na dimensão espaço-tempo, como aí sim, algo cartesiano, que tem ou teve início, meio ou fim. De outra maneira não, somente o Presente é real, e nele experimentamos a simultaneidade. Por agora fico por aqui, sei que é um assunto complexo que suscita muitas dúvidas e questionamentos, por isso voltarei de vez em quando escrever mais sobre!
      Abraços fraternos, PAZ E LUZ!

UM POUCO DE LAZER E ENTRETENIMENTO:


      Como este blog não é apenas espaço para debates filosóficos e sim um cadinho de tudo, aqui quero falar um pouco sobre filmes, que indico. O primeiro deles, é o que deu o merecido Oscar à Sandrinha Bullock, UM SONHO POSSÍVEL! História real, já começa daí, muitíssimo bem roteirizado, organizando os eventos de modo a nunca perder o que para mim é um dos personagens principais, a esperança e a perseverança, sempre como pano de fundo. Dái já percebe-se que sim, é um filme para mexer com nossos sentimentos e nossas emoções, especialmente com nossas lágrimas. É a história de um garoto pobre e negro,  mas bem diferente, de certa forma orfão, mas o que lhe chama atenção e o tamanho e a aparente falta de inteligência para sua idade. Sempre vagando por colégios já conformado em não ser aceito pelos colegas, acostumado a viver só, começa a estudar num colégio de gente rica, e num determinado momento recebe ajuda da personagem de Sandra Bullock. A história de fato aí começa, ele faz amizade com seus dois filhos, um casal, uma moça adolescente e um garotinho pequeno, uma figuraça, para fazer todo mundo ri, e detalhe, Bullock interpreta uma verdadeira Dondoca, mandona, de família muito rica, acostumada em sempre Ter o controle da situação, e através da convivência com nosso personagem, vai se auto-descobrindo e iniciando uma jornada de amor.........mas daqueles de encher os olhos de todos que estavam presentes no cinema ( lembrando que é tudo real, no final do filme as verdadeiras pessoas aparecem). Mas meu objetivo não é descrever uma sinopse para o filme, quero chamar atenção a sensibilidade do diretor, que teve nas mãos uma história belíssima e conseguiu por isso na telona. É um filme inspirador, que fala sobre preconceito de raça, classe social, auto descobrimento, de como uma pessoa aparentemente anormal pode transformar a vida e a rotina de toda uma família e claro, dando grandes exemplos de coragem, perseverança e doação ao próximo. A luta, de um jovem orfão que nunca tinha tido nem sequer uma cama para dormir, em conquistar o respeito de si mesmo até se tornar um astro universitário de futebol americano. Vale d+++++ a pena conferir, com pipoca, só, com amigos, familiares, namorado(a), o que for, é daqueles filmes que quando termina vc se sente bem, feliz, inspirado!
         PAZ E LUZ!